A Vivo está expandindo agressivamente suas parcerias em inteligência artificial para transformar a tecnologia em moeda de troca por novos assinantes e maior fidelidade. A operadora já oferece acesso gratuito ao Gemini Plus, do Google, em planos de dados selecionados, e busca agora fechar acordos com mais provedores de modelos generativos para ampliar o cardápio.
Mas a jogada não se resume a brindes digitais para o consumidor final. Por trás da cortina, a empresa reestrutura processos internos com a mesma tecnologia, criando um ciclo de eficiência que pode redesenhar a rentabilidade do setor nos próximos trimestres.
O que muda no bolso do assinante hoje
Atualmente, clientes de determinados planos pós-pagos acessam o Gemini Advanced sem custo adicional — um benefício que antes era reservado ao Perplexity Pro, substituído no início do ano. A troca sinaliza uma preferência por ecossistemas integrados a ferramentas de produtividade já consolidadas no mercado corporativo.
Para o usuário, isso significa ter assistentes de código, análise de documentos e geração de imagens embarcados na franquia de dados, sem assinaturas à parte. O custo marginal para a operadora é diluído na escala, enquanto o valor percebido pelo cliente sobe, dificultando a portabilidade.
Os números que explicam a liderança no Top of Mind
A estratégia coincide com o melhor desempenho da marca na história do Datafolha. No Top of Mind 2026, a Vivo levou as três categorias de telecom: Conexão 5G, Banda Larga (empate técnico com a Claro) e Celular. Três indicadores chamam a atenção:
- Queda histórica de “não sabe citar marca”: de 37% para 25% dos entrevistados, menor patamar da série.
- Força nas classes A e B: 37% de lembrança espontânea, bem acima da média geral.
- Domínio na Geração Z: 33% entre jovens de 16 a 24 anos, público que dita adoção de novas tecnologias.
Esses dados sugerem que a exposição constante a inovações — como o 5G standalone e agora a IA generativa — cria um halo de modernidade que se traduz em preferência declarada.
Por que a aposta interna pode valer mais que o marketing
Segundo Fabíola Pereira, analista de mídia da companhia, “todos os olhos estão voltados para a IA”. A executiva revela que a mesma camada tecnológica ofertada ao cliente final está sendo aplicada em atendimento, otimização de rede, prevenção de fraude e desenvolvimento de produtos.
O efeito composto é silencioso: redução de churn via chatbots resolutivos, alocação dinâmica de espectro em áreas de pico e ciclos de lançamento de ofertas encurtados por geração de código assistida. Cada ponto percentual de ganho operacional, multiplicado pela base de quase 100 milhões de acessos, move a agulha do EBITDA muito mais que campanhas publicitárias isoladas.
O que observar daqui para frente
O próximo sinal de amadurecimento será a divulgação de métricas de adoção: quantos elegíveis efetivamente ativam o benefício de IA e qual a correlação com NPS e tempo de permanência. Outro termômetro será a velocidade de novas parcerias — a entrada de modelos especializados em jurídico, saúde ou finanças indicaria segmentação de valor, não apenas volume. Para investidores e gestores de portfólio, a equação passa a ser: a Vivo consegue transformar IA em barreira de entrada sustentável ou o movimento vira commodity em 18 meses?
