Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), reconheceu oficialmente a vitória de Lula (PT) no segundo turno, mas o paradeiro do senador virou caso de polícia. Enquanto o deputado discursava sobre “não desistir do Brasil”, a Polícia Federal apura se Flávio deixou o país às pressas após ordem do STF para entregar o passaporte.
O pronunciamento que ninguém esperava
Em vídeo nas redes sociais, Gaspar agradeceu os 59,8 milhões de votos — 48,21% dos válidos — e afirmou que o “sistema mudou as regras” durante a disputa, sem detalhar a acusação. A chapa adversária obteve 64,2 milhões de votos (51,79%). O tom foi de resistência: “Têm derrotas que são verdadeiras vitórias”, declarou.
O deputado elencou pautas para 2027: classificar facções como CV e PCC como organizações terroristas, endurecer a política antidrogas e defender a família como base social. O PL elegeu 121 deputados federais e 28 senadores no primeiro turno, mantendo força no Congresso.
O sumiço do senador e a caçada judicial
Na madrugada de terça-feira (27), a PF abriu apuração para confirmar se Flávio cruzou a fronteira com a Argentina via Puerto Iguazú. Não há registro de saída por postos migratórios regulares brasileiros. Autoridades dos dois países trocam informações, mas até o momento nenhum carimbo de entrada foi encontrado no lado argentino.
O ministro Alexandre de Moraes determinou no domingo (25) a entrega dos passaportes do senador até as 11h de segunda (26), no âmbito de inquérito por lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e o advogado Willer Tomaz. O prazo venceu sem cumprimento.
O que está por trás da ordem de Moraes
A investigação apura suposto esquema de movimentação de recursos por meio de casas de apostas esportivas (bets). Flávio e Tomaz são alvos de pedido de apreensão de passaportes justamente pelo risco de fuga identificado pela PF. A assessoria do senador nega que ele tenha viajado ao exterior.
- Votos da chapa PL: 59.826.041 (48,21%)
- Votos da chapa PT: 64.256.232 (51,79%)
- Bancada PL em 2023: 121 deputados + 28 senadores
- Prazo para entrega do passaporte: 11h de 26/12 (não cumprido)
Pontes entre o Congresso e o inquérito
A manutenção da maior bancada da Câmara dá ao PL poder de obstrução ou negociação em pautas sensíveis ao governo eleito. Ao mesmo tempo, a situação jurídica do senador mais votado do Rio cria um cenário de instabilidade: se a fuga for confirmada, a base bolsonarista perde seu principal articulador no Senado justamente quando a oposição precisa de coordenação.
Mas o efeito mais relevante aparece no campo institucional.
O que observar daqui para frente
Três frentes devem ditar o ritmo nas próximas semanas: a conclusão da apuração da PF sobre a rota de fuga, os desdobramentos do inquérito das bets no STF e a capacidade do PL de transformar a votação expressiva em agenda legislativa concreta. A resposta de Flávio Bolsonaro — se reaparece, se entrega os documentos ou se mantém o silêncio — definirá se o discurso de “permanecer de pé” terá respaldo factual ou se tornará apenas retórica de palanque.
