A Shopee aumentou sua capacidade logística no Brasil em 60% nos últimos 12 meses, abrindo quatro novos centros de distribuição e triplicando um hub estratégico no interior de São Paulo. O movimento sinaliza uma preparação agressiva para o fim de ano, mas a verdadeira jogada de longo prazo depende de uma canetada da Anvisa.
A plataforma atingiu a marca de 30 centros de distribuição — quase o dobro dos 16 registrados um ano atrás. Dessas unidades, 25 operam no modelo cross-docking (passagem rápida) e cinco funcionam como fulfillment (estoque próprio de vendedores).
Onde a estrutura cresceu e o que muda na prática
As inaugurações recentes ocorreram em Recife, Rio de Janeiro, Vitória e Blumenau (SC). Paralelamente, o centro de Piracicaba (SP) teve sua área operacional triplicada. Juntas, as expansões adicionam capacidade para processar 2,4 milhões de pedidos por dia.
Para dimensionar o volume: no último “11/11”, data promocional mais forte da empresa, foram vendidos mais de 20 milhões de itens em 24 horas — desempenho superior ao da Black Friday brasileira.
Investimento pesado na guerra dos cupons
A disputa pelo consumidor no último trimestre se traduz em números diretos de incentivo. A companhia confirmou orçamentos recordes para as duas principais datas do varejo:
- 11/11: R$ 25 milhões em cupons (alta de 25% sobre 2023);
- Black Friday: R$ 23 milhões (aumento de 43% sobre a edição anterior).
“Estamos muito focados em crescer capacidade agora para atender esse aumento expressivo de demanda do final de ano”, afirmou Tiago Freddi, diretor de logística e estratégia, durante evento em Franco da Rocha (SP).
Medicamentos: a peça que falta no tabuleiro
Enquanto a logística avança a todo vapor, a entrada no mercado farmacêutico segue travada. A Shopee decidiu aguardar a regulamentação final da Anvisa antes de permitir a venda de medicamentos por farmácias parceiras.
A lei que autoriza a comercialização em marketplaces já foi sancionada, mas a agência ainda elabora as regras operacionais. O concorrente Mercado Livre adiantou-se e iniciou as vendas no mês passado, tanto via farmácia própria quanto por terceiros.
Por que a Shopee optou pela cautela
A estratégia difere por estrutura de negócio. Como a plataforma não opera varejo próprio (modelo 1P), a venda seria exclusiva via lojistas terceiros (3P). Atualmente, mais de 40 redes de farmácias já comercializam cosméticos e itens de bem-estar no aplicativo.
O diretor Felipe Lima explicou que o entendimento interno aponta para a necessidade de envio direto da farmácia ao consumidor. Esse modelo seria atendido pela operação Turbo, lançada em agosto na capital paulista com promessa de entrega em até quatro horas.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão o próximo capítulo dessa expansão: a velocidade da Anvisa em publicar a resolução sobre e-commerce de medicamentos; a capacidade da malha Turbo de escalar além de São Paulo; e a resposta do Mercado Livre e Amazon ao aporte logístico da Shopee. Para o lojista, o recado é claro: a infraestrutura para vender mais rápido e barato está pronta — resta saber se a regulação acompanhará o ritmo.
