Economia

A virada que garantiu o DF a Celina: o que muda nos negócios agora…

Celina Leão comemora vitória nas eleições do DF 2026, primeira mulher eleita governadora
Celina Leão (Progressistas) celebra reeleição histórica ao governo do Distrito Federal com 57% dos votos.

Celina Leão (Progressistas) confirmou a reeleição ao governo do Distrito Federal com 57% dos votos válidos, superando Leandro Grass (PT) por uma margem de 248 mil sufrágios. A vitória consolida a primeira mulher eleita diretamente para o Palácio do Buriti. Para o setor produtivo, o sinal é de continuidade administrativa, mas com novas variáveis no tabuleiro político local.

O peso da máquina e a leitura do eleitorado

A diferença nas urnas não foi apenas numérica; revelou a capilaridade da aliança liderada pelo PP. Celina herdou o mandato em março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha, e transformou a interinidade em capital eleitoral. A gestão curta serviu como vitrine para obras de infraestrutura e programas sociais que atingiram diretamente o eleitor de renda média e baixa.

O adversário, apesar da estrutura partidária nacional, não conseguiu furar a bolha do Plano Piloto e regiões administrativas centrais. O resultado sugere que o eleitorado do Entorno e das cidades-satélites priorizou a percepção de entrega imediata em detrimento de promessas estruturais de longo prazo.

Impacto direto: estabilidade regulatória e contratos

Para empresários e investidores, a reeleição remove a incerteza de uma transição brusca de governo. Secretarias-chave — Fazenda, Economia, Desenvolvimento Urbano — tendem a manter seus titulares ou perfis técnicos alinhados à atual gestão. Isso reduz o risco de paralisação de editais, revisão de incentivos fiscais ou alteração no zoneamento urbano.

Contudo, a base aliada na Câmara Legislativa precisará ser renegociada. A composição da nova legislatura traz bancadas mais fragmentadas, o que pode alongar a tramitação de projetos de lei de interesse do setor privado, como a modernização do Código de Obras e a lei de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Números que o mercado deve monitorar

  • Dívida pública do DF: fechou 2025 em R$ 12,3 bi; meta da reeleita é manter endividamento abaixo de 1,5x a Receita Corrente Líquida.
  • Investimento em infraestrutura: previsão de R$ 4,8 bi para 2027-2028, focado em mobilidade (BRT Norte/Sul) e saneamento.
  • Incentivos fiscais: programa “Desenvolve-DF” deve ser renovado com foco em tecnologia, logística e saúde.

O xadrez político para 2026 e a sucessão no Senado

A vitória de Celina rearranja as peças para a disputa ao Senado em 2026. Com Ibaneis Rocha (MDB) como provável candidato à única vaga, a governadora precisará decidir se apoia o ex-aliado ou lança nome próprio do PP. Essa definição impacta diretamente a articulação de emendas parlamentares e a liberação de recursos federais para o DF nos próximos dois anos.

Além disso, a relação com o governo federal — hoje de oposição ideológica, mas dependência orçamentária — exigirá pragmatismo. O GDF depende de repasses da União para fechar as contas de custeio da saúde e educação, pastas que consomem cerca de 60% do orçamento próprio.

O que observar daqui para frente

O primeiro teste de fôlego será a mensagem do governo à Câmara Legislativa em fevereiro: nela virão as prioridades legislativas e o tom da relação com o funcionalismo — categoria que pressiona por reajustes acima da inflação. Outro termômetro será a nomeação para a Secretaria de Fazenda; a manutenção do atual titular sinaliza ortodoxia fiscal, enquanto uma troca pode indicar viés mais expansionista.

Por fim, a execução do Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 ditará o ritmo dos investimentos. Empresas do setor de construção, tecnologia e serviços devem mapear as licitações previstas no primeiro semestre de 2027, quando a máquina administrativa costuma acelerar os empenhos.