Economia

O segredo por trás do maior investimento privado da história do RS: R$ 27 bi

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Maior investimento privado da história do RS: projeto de R$ 27 bi da CMPC avança com Licença Prévia.

O Rio Grande do Sul acaba de liberar a Licença Prévia para um projeto de R$ 27 bilhões, o maior aporte privado já registrado no estado. A gigante chilena CMPC recebeu o aval da Fepam para o “Projeto Natureza”, que prevê uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e um terminal portuário próprio em Rio Grande. Mas a licença é apenas a largada: o verdadeiro teste começa agora.

O que muda na prática para a economia gaúcha

Os números impressionam pela escala. Durante a fase de construção, a expectativa é gerar 12 mil postos de trabalho. Na operação, a projeção gira entre 5 mil e 6 mil empregos diretos e indiretos. A nova unidade terá capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, somando-se à planta existente em Guaíba, que já entrega 2,4 milhões de toneladas anuais.

O governador Eduardo Leite destacou que o efeito cascata vai além da fábrica. A infraestrutura logística prevista — rodovias e o terminal portuário estimado em R$ 1,5 bilhão — transforma a atratividade da região para novos negócios. Não é só uma planta industrial; é a reconfiguração de um corredor logístico.

O entrave jurídico que quase travou tudo

O caminho até a assinatura no Palácio Piratini não foi linear. O Ministério Público Federal (MPF) questionou a ausência de consulta prévia a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. A disputa escalou para o Conselho Nacional do Ministério Público e para a Justiça Federal, com ações civis públicas e pedidos de suspensão liminar.

O ponto de virada ocorreu em julho, quando a Justiça Federal rejeitou a paralisação do processo. Em setembro, o TRF4 confirmou a legalidade do andamento. A manifestação favorável da Funai, emitida em 21 de outubro, atestando a viabilidade ambiental na fase de planejamento, selou o destino da Licença Prévia no dia seguinte.

Cronologia decisiva do licenciamento

  • Abril/2024: Protocolo de intenções assinado (R$ 24 bi iniciais).
  • Jan/2026: Audiência pública em Barra do Ribeiro com 1,1 mil participantes.
  • Mar/2026: MPF recomenda suspensão por consulta a povos tradicionais.
  • Abr/2026: CNMP suspende efeitos da recomendação do MPF.
  • Jul/2026: Justiça Federal autoriza continuidade da análise.
  • Out/2026: Funai emite parecer favorável; Fepam emite LP; Governo entrega documento.

O próximo passo crítico: Licença de Instalação

Com a Licença Prévia (LP) em mãos, a CMPC avança para a etapa executiva: a obtenção da Licença de Instalação (LI). É neste momento que os projetos de engenharia detalhados são apresentados e as condicionantes ambientais rigorosas começam a ser fiscalizadas na prática. Só com a LI as máquinas entram no terreno de Barra do Ribeiro e nas obras do terminal em Rio Grande.

A empresa já opera no estado desde 2009, presente em 75 municípios com cerca de mil fazendas de eucalipto. Essa base florestal própria é o ativo que garante a matéria-prima para as duas fábricas, reduzindo risco logístico e de custos — um diferencial competitivo relevante para investidores que olham a cadeia de valor completa.

O que observar daqui para frente

A entrega da LP remove a principal incerteza regulatória, mas transfere o foco para a execução. O mercado deve monitorar três vetores: o cronograma de captação de mão de obra especializada para as 12 mil vagas de obra, o cumprimento das condicionantes socioambientais acordadas com a Funai e comunidades locais, e a evolução do preço internacional da celulose, que dita o retorno desse capital alocado. O vice-presidente Geraldo Alckmin sinalizou a aposta federal na bioeconomia como vetor de reindustrialização; se o projeto cumprir o cronograma, vira caso de estudo para grandes aportes verdes no Brasil.