A Embraer fechou o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 35,7 bilhões, o maior patamar já registrado pela fabricante. O salto de 14% em doze meses não é apenas um recorde contábil; sinaliza uma mudança profunda na composição de receitas da empresa.
Entregas de 66 jatos no período mantêm o ritmo de produção, mas é a qualidade do portfólio que chama a atenção de analistas. A diversificação entre segmentos reduz a dependência ciclicidade da aviação comercial tradicional.
O número que impressiona o mercado
O crescimento de 3% frente ao trimestre anterior e de 14% na comparação anual coloca a Embraer em posição de conforto para os próximos anos. No acumulado de janeiro a setembro, 175 aeronaves deixaram as linhas de montagem, alta de 14% sobre 2025.
Esse volume de entregas sustenta o fluxo de caixa imediato, enquanto a carteira garante visibilidade de longo prazo. A combinação rara de execução no presente e contratos futuros robustos é o que diferencia o momento atual de ciclos anteriores.
Aviação Comercial: o motor E2 ganha tração
A divisão comercial responde por US$ 15,8 bilhões da carteira, avanço de 4% em doze meses. O destaque vai para a família E2, que atraiu 36 pedidos firmes e 30 opções no trimestre.
Clientes como Grupo Abra, Binter, Luxair e ANA Holdings reforçam a aceitação do jato narrow-body mais eficiente do mercado. A carteira de opções, muitas vezes subestimada, funciona como uma esteira de conversão futura de receita.
Executiva e Defesa: os novos pilares de crescimento
Foi nos segmentos de maior margem que a Embraer surpreendeu. A Aviação Executiva bateu recorde histórico de US$ 8,2 bilhões, puxada pelo lançamento do Phenom 300EV — certificado simultaneamente no Brasil, EUA e Europa.
Já Defesa & Segurança explodiu 56% em um ano, atingindo US$ 6,1 bilhões. A venda firme de dois KC-390 Millennium para a Colômbia catalisou a carteira, que agora soma 43 encomendas do cargueiro militar e 25 do A-29 Super Tucano.
Serviços & Suporte: a receita recorrente que ninguém ignora
Menos visível, mas vital, a unidade de Serviços & Suporte atingiu US$ 5,6 bilhões, alta de 14% anual. Contratos de longo prazo para suporte de frotas e soluções digitais transformam a base instalada em uma anuidade tecnológica previsível.
- Comercial: US$ 15,8 bi (+4% a/a)
- Executiva: US$ 8,2 bi (+12% a/a) — recorde histórico
- Defesa e Segurança: US$ 6,1 bi (+56% a/a)
- Serviços e Suporte: US$ 5,6 bi (+14% a/a) — recorde histórico
O que observar daqui para frente
A aceleração da taxa de conversão de opções em pedidos firmes nos E2 será o termômetro da aviação comercial em 2025. No lado militar, a capacidade de exportar o KC-390 para além da América do Sul definirá se o salto de 56% é pontual ou estrutural.
Para o investidor e o executivo do setor, a mensagem é clara: a Embraer deixou de ser uma “fabricante de jatos regionais” para se tornar uma plataforma aeroespacial diversificada, com receita recorrente crescente e exposição geopolítica em defesa. O próximo balanço dirá se a margem operacional acompanha a qualidade da carteira.
