Economia

O segredo por trás da alta dos juros longos: pesquisas vs. IPCA-15…

Gráfico de juros futuros longos em alta com pesquisas eleitorais e IPCA-15 em destaque
Juros longos sobem com incerteza eleitoral enquanto IPCA-15 surpreende em baixa

Os juros futuros longos abriram em alta nesta sexta-feira (23), pressionados por uma bateria de pesquisas eleitorais que deixam o segundo turno completamente em aberto. Enquanto o mercado precifica a incerteza política nos vencimentos mais distantes, as taxas curtas travam — ignorando um IPCA-15 que veio bem abaixo do piso das expectativas. A divergência expõe um cenário onde a política fala mais alto que a inflação imediata.

O peso das urnas nos vencimentos longos

Datafolha, Vox Brasil, Real Time Big Data e Alfa Inteligência: todas divulgadas nas últimas horas, todas apontando disputa acirrada. Nenhuma projeta vencedor claro para domingo. O reflexo imediato apareceu nas taxas de 2029 e 2031, que avançaram cerca de 25 a 30 pontos-base em relação ao ajuste anterior.

Às 9h10, o DI para janeiro de 2029 marcava 12,690% (ante 12,664%), enquanto o vencimento 2031 subia a 12,695% (de 12,665%). O investidor exige prêmio de risco maior para carregar posição longa num fim de semana binário.

Por que o curto não caiu com o IPCA-15 fraco?

O índice de prévia da inflação subiu 0,32% em outubro, contra 0,70% em setembro. O número ficou abaixo até do piso do Projeções Broadcast (0,37%). Em tese, alívio inflacionário derrubaria os juros curtos. Não aconteceu.

Três fatores seguraram as taxas curtas no lugar (DI genérico a 13,501%):

  • Cautela extrema com o resultado de domingo;
  • Alta do petróleo no mercado internacional;
  • Rendimentos dos Treasuries em elevação e dólar levemente mais forte.

O cenário externo tirou o espaço para queda que a inflação doméstica abriria.

O que conecta Brasília a Nova York

Não é só a eleição. O petróleo Brent acima de US$ 93 pressiona expectativas de inflação global. Os juros dos títulos americanos de 10 anos renovam máximas, puxando o dólar para cima. No Brasil, moeda americana em alta reforça viés de alta na curva de juros, mesmo com IPCA-15 comportado.

Essa combinação — incerteza fiscal local + aperto monetário global — cria uma armadilha: o Banco Central tem menos liberdade para cortar Selic no curto prazo, enquanto o prêmio de risco lungo explode.

O que observar daqui para frente

O fechamento desta sexta-feira dirá se o movimento foi apenas ajuste de posição pré-urnas ou mudança de tendência. Dois gatilhos dominam a segunda-feira: o resultado das urnas e a reação do fiscal à composição do novo governo. Se a curva longa devolver a alta, o sinal será de alívio. Se mantiver, o mercado já precifica prêmio de risco estruturalmente mais alto.

Para quem opera curto, a lição fica clara: fundamentos de inflação importam, mas liquidez e risco político ditam o preço nos momentos de bifurcação.