A atividade empresarial britânica acelerou em outubro ao ritmo mais forte em oito meses, puxada por uma onda de novos contratos e pela retomada da demanda por soluções de inteligência artificial. O índice de gerentes de compras (PMI) composto saltou para 51,7 pontos, acima dos 50 que separam expansão de contração.
O número pegou analistas de surpresa. A mediana das projeções apontava para 50,5. O componente de serviços — motor da economia do Reino Unido — marcou 51,8, enquanto a manufatura subiu para 50,3, saindo de território recessivo.
O que está por trás da virada
Dois vetores explicam o salto. Primeiro, o fim da incerteza política após as eleições de julho liberou decisões de investimento represadas. Segundo, projetos de IA generativa voltaram a entrar nos orçamentos de TI de grandes corporações e do setor público.
Empresas de software, consultoria e data centers relatam pipelines de vendas mais cheios desde o primeiro trimestre. “Pedidos que estavam parados em comitês de aprovação voltaram à mesa”, diz um diretor de uma integradora de sistemas em Londres.
Impacto direto no caixa das empresas
- Fluxo de caixa: ciclos de conversão de pedido em receita encurtaram de 90 para 60 dias em média.
- Contratações: intenção de ampliar quadro subiu ao maior nível desde maio, segundo subíndice de emprego do PMI.
- Preços: pressão de custo de insumos arrefeceu, mas poder de repasse permanece limitado pela concorrência.
Pequenos fornecedores de componentes eletrônicos e serviços de anotação de dados são os que mais sentem o efeito imediato. Grandes players de nuvem reportam ocupação de data centers acima de 85% na região de Londres.
Setor industrial ainda caminha com cautela
Embora a manufatura tenha voltado a crescer, o ritmo é frágil. Estoques elevados em distribuidores europeus e encomendas de exportação estagnadas limitam a produção. O subíndice de novas encomendas externas ficou em 48,9 — ainda em contração.
Montadoras e fabricantes de máquinas relatam que clientes na Alemanha e França postergam entregas para 2025. Isso mantém as fábricas britânicas operando com ociosidade de 12% a 15%.
O que observar nas próximas semanas
O Banco da Inglaterra monitora o PMI de perto. Um dado consistentemente acima de 51 pode adiar cortes de juros previstos para novembro. Já o Tesouro avalia se a recuperação justifica manter metas de empréstimo no orçamento de outono.
Para gestores, o sinal prático é claro: revisar projeções de receita do quarto trimestre para cima, mas manter disciplina de capital. A recuperação é real, porém concentrada em bolsões de tecnologia e serviços de alto valor agregado. Diversificar carteira de clientes entre setores expostos a IA e manufatura tradicional reduz o risco de uma desaceleração assimétrica no primeiro trimestre de 2025.
