A DPSP, controladora das bandeiras Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, transformou salas de vacinação no principal motor de crescimento das lojas. A estratégia fez a procura por imunizantes saltar 15% apenas no ano corrente.
O movimento vai muito além de oferecer conveniência: tornou-se alavanca financeira direta. Entender os números por trás dessa aposta revela como o varejo farmacêutico está redesenhando sua fonte de receita.
O tamanho da aposta em números
Até o momento, o grupo já ativou 466 salas de vacinação, cobertura que atinge 28% do total de unidades da rede. A meta é clara: usar o serviço para prender o cliente na loja e aumentar a frequência de visitas.
O resultado imediato aparece no faturamento. Em 2025, a linha de vacinas e serviços de imunização gerou R$ 66 milhões, um avanço expressivo de 58,4% frente ao ano anterior. O crescimento da infraestrutura acompanhou o ritmo: foram 425 unidades equipadas ao fim de 2025, alta de 20,4% sobre 2024.
Por que o consumidor migrou para a farmácia
A primeira sala foi inaugurada em 2020, mas a aceleração recente tem explicação comportamental. O público passou a valorizar a praticidade e a prevenção perto de casa, dispensando deslocamentos a hospitais ou postos centrais para vacinas de rotina ou sazonais.
Esse hábito consolidado permite à DPSP cruzar a venda do serviço com o varejo tradicional. Quem entra para vacinar, muitas vezes sai com medicamentos, dermocosméticos ou itens de conveniência no carrinho.
Público-alvo e portfólio: onde está a margem
A operação não mira apenas campanhas sazonais. O foco estratégico recai sobre três pilares de maior valor agregado e recorrência:
- Famílias: calendário infantil e vacinas de viagem;
- Adultos 50+: prevenção de doenças crônicas e imunossupressão;
- Idosos: reforço anual e vacinas de alta tecnologia.
O portfólio inclui imunizantes de ticket médio elevado, como herpes-zóster, HPV, dengue, meningite e febre amarela, além da sazonal gripe. A margem nesses itens costuma superar a de medicamentos genéricos de prateleira.
O diferencial “Espaço Viva Saúde”
Para além das salas padrão, a empresa mantém três unidades do modelo Espaço Viva Saúde. São unidades ampliadas, com estrutura de clínica integrada à farmácia, capazes de realizar check-ups, testes rápidos e acompanhamento farmacoterapêutico.
Esse formato testa o limite do conceito health hub: a farmácia deixa de ser ponto de dispensação para virar centro de atenção primária de baixa complexidade, capturando valor em toda a jornada do paciente.
O que observar daqui para frente
A velocidade de abertura de salas (mais de 40 novas em 2025) sugere que a saturação de 28% da rede ainda tem largo caminho para crescer. Investidores devem monitorar dois vetores: a capilaridade do rollout nas praças onde a DPSP lidera e a taxa de conversão do cliente de vacinação em compras de varejo.
Se a receita de serviços mantiver casa dos 50% ao ano, a linha “não medicamentos” pode deixar de ser complementar para se tornar pilar de valuation da companhia nos próximos balanços.
