Três jogadoras dos maiores clubes de São Paulo disputam o título de melhor lateral-direita do Brasileirão Feminino 2026. A lista final do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas revela um domínio paulista que vai além da rivalidade: expõe perfis táticos distintos e trajetórias de superação.
A cerimônia de premiação está marcada para 15 de novembro, no Museu do Futebol. Até lá, os números de cada finalista contam uma história de gestão de elenco, adaptação tática e consistência.
Como a votação funciona e por que isso importa
O colégio eleitoral é formado por capitãs, treinadores e dirigentes dos clubes da elite. A regra veda o voto em atletas do próprio time. O modelo busca isenção técnica e valoriza o reconhecimento entre pares — um termômetro real do nível da competição.
As finalistas foram anunciadas nesta quinta-feira (22), encerrando a sequência de revelações que começou na segunda (19) com as categorias de Revelação, Treinador e Goleira.
Bruna Calderan: a solidez que ergueu uma muralha no Morumbi
Aos 30 anos, a gaúcha de Sananduva conquistou em 2026 o primeiro título brasileiro da carreira. Após vices em 2020 (pelo Avaí Kindermann) e 2021 (pelo Palmeiras), a lateral foi titular absoluta na campanha do São Paulo.
O dado que salta aos olhos: a defesa menos vazada do torneio. Foram apenas 14 gols sofridos em 23 partidas. A regularidade de Calderan — presente em praticamente todos os jogos — foi peça-chave para a consistência defensiva que sustentou o título.
Gi Fernandes: da reserva ao protagonismo em menos de uma temporada
Nascida em Praia Grande, a atleta de 21 anos viveu uma virada de roteiro. Preterida no início do trabalho de Emily Lima no Corinthians, recuperou a condição de titular durante o Paulista e virou peça central na campanha que levou o time à 10ª final consecutiva de Brasileirão.
O currículo recente inclui a conquista do FIFA Series com a Seleção Brasileira em abril. A juventude aliada à capacidade de resposta sob pressão torna o perfil dela atrativo para clubes que buscam ativos com margem de valorização esportiva e comercial.
Fe Palermo: a “coringa” que blindou o Palmeiras
Também aos 30 anos, a campineira Fe Palermo entrega algo raro: versatilidade tática de alto nível. Sob comando de Rosana Augusto, atuou nas duas laterais e como terceira zagueira. Com ela em campo, o Verdão sofreu uma única derrota na temporada.
A confiabilidade defensiva rendeu convocações para a Seleção em 2026 — foi titular nos amistosos contra Costa Rica e Venezuela. Perfis assim reduzem riscos de elenco e ampliam opções táticas sem necessidade de contratações pontuais.
O que mais está em jogo na premiação
Além das posições, o prêmio contempla categorias que medem a saúde institucional do futebol feminino:
- Melhor Jogadora e Artilheira — desempenho individual puro.
- Gol Mais Bonito — apelo de mídia e engajamento.
- Melhor Departamento de Futebol Feminino — gestão, estrutura e planejamento de longo prazo.
- Futebol Feminino Contra o Feminicídio — reconhece o clube que melhor promoveu ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
A inclusão da última categoria sinaliza que a premiação avalia impacto social, não apenas esportivo — um diferencial para patrocinadores e investidores que buscam alinhamento com ESG.
O que observar até 15 de novembro
A disputa reflete três modelos de sucesso: a constância defensiva (Calderan), a resiliência e ascensão meteórica (Gi Fernandes) e a versatilidade tática como ativo estratégico (Fe Palermo). Para quem acompanha o mercado da bola, a cerimônia no Museu do Futebol será mais que uma festa: será um termômetro do que os próprios clubes valorizam na lateral direita moderna.
Fique atento às categorias de gestão e impacto social. Elas costumam antecipar quais clubes estão estruturados para crescer de forma sustentável nos próximos ciclos.
