Economia

Batistas apostam no nuclear antes de fechar compra da Eletronuclear

Joesley e Wesley Batista em evento nuclear da J&F Âmbar Energia antes de fechar compra da Eletronuclear
Irmãos Batista patrocinam principal evento do setor nuclear enquanto aguardam conclusão da aquisição da Eletronuclear.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista acabam de colocar a J&F no centro do debate nuclear brasileiro, patrocinando o principal evento do setor — mesmo sem terem concluído a aquisição da fatia da Eletronuclear assinada há mais de um ano. O movimento sinaliza que a entrada no segmento não depende mais de burocracia.

A transação, firmada em outubro de 2023, prevê que a Âmbar Energia assuma 100% da participação da antiga Eletrobras (hoje Axia Energia) na estatal nuclear. O negócio ainda aguarda aval regulatório, mas os Batista já atuam como donos do pedaço.

O evento que funciona como credencial

O Nuclear Legacy, promovido pela ABDAN, acontece no dia 9 de novembro na Escola Naval, no Rio de Janeiro. A programação reúne autoridades de governo, executivos da indústria, acadêmicos e lideranças internacionais — o palco ideal para quem quer ditar as regras do jogo.

O aporte virá do family office Globe Investimentos, braço de investimentos pessoais da família dentro da estrutura da J&F. O valor não foi divulgado, mas a presença da BloombergNEF, com palestra magna de Chris Adamski, eleva o calibre do encontro.

Por que Angra 3 muda a conta

A fatia na Eletronuclear não é apenas um ativo de geração. Ela carrega a chave para destravar Angra 3, usina paralisada que hoje só gera despesa: manutenção, juros da dívida e zero receita.

  • Custo atual: manutenção contínua sem geração de caixa
  • Dívida: encargos financeiros correm sem contrapartida operacional
  • Potencial: 1.405 MW de capacidade firme, base para estabilidade do sistema

A entrada de capital privado com apetite de risco e capacidade de execução é vista pelo mercado como o único caminho realista para conclusão da obra.

Âmbar já tem a estrutura; faltava o nuclear

A estratégia faz sentido olhando o portfólio da Âmbar: termelétricas, hidrelétricas e solar. O nuclear preenche a lacuna de geração firme, despachável e livre de carbono — ativo cada vez mais valioso em leilões de capacidade e contratos de longo prazo.

Com a aquisição, a J&F passa a deter exposição direta a toda a cadeia: urânio, operação, comercialização e, potencialmente, novos projetos de reatores modulares (SMRs) no futuro.

O que observar daqui para frente

O próximo marco não é o evento de novembro, mas a aprovação da CNEN e do CADE para fechamento da compra. Enquanto isso, a J&F já ocupa a cadeira de protagonista. Quem acompanha o setor deve monitorar: cronograma de Angra 3, movimentações regulatórias para SMRs no Brasil e a posição da Âmbar nos próximos leilões de reserva de capacidade. O nuclear brasileiro ganhou um jogador com caixa, pressa e histórico de execução.