Economia

O segredo dos 17 pontos: Datafolha revela o mapa do 2º turno no DF

Gráfico Datafolha mostra Celina Leão com 54% contra 37% de Leandro Grass no 2º turno DF
Pesquisa Datafolha aponta vantagem de 17 pontos para Celina Leão sobre Leandro Grass no segundo turno do DF.

Celina Leão (PP) chega ao fim de semana decisiva com 54% das intenções de voto contra 37% de Leandro Grass (PT), segundo Datafolha divulgado nesta quinta-feira (22). A diferença de 17 pontos coloca a governadora em zona de conforto matemático, mas esconde um detalhe que pode mudar a leitura do cenário político-econômico local.

Com 90% do eleitorado declarando voto definitivo, a janela para viradas fecha rápido. Resta saber se a solidez nas urnas se traduz em base parlamentar para 2023.

Os números que definem a disputa

A pesquisa ouviu 910 eleitores entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais. O cenário estimulado mostra estabilidade em relação ao levantamento anterior, mas a composição dos indecisos e brancos/nulos merece atenção de quem acompanha o ambiente de negócios na capital.

  • Celina Leão (PP): 54% (era 55%)
  • Leandro Grass (PT): 37% (estável)
  • Branco/Nulo/Nenhum: 7% (subiu de 5%)
  • Não sabe: 2% (caiu de 3%)

A rejeição ao voto nulo ou branco cresceu dois pontos. Isso sugere que parte do eleitorado insatisfeito começa a migrar para uma escolha, mesmo que relutante, o que historicamente beneficia quem lidera.

O abismo entre aprovação pessoal e avaliação de governo

Aqui está o dado mais relevante para quem projeta cenários de gestão: Celina tem 54% de aprovação pessoal, mas seu governo é avaliado como “ótimo ou bom” por apenas 32%. A fatia “regular” lidera com 34%, enquanto “ruim ou péssima” soma 31%.

Essa desconexão — popularidade da figura versus avaliação da máquina — sinaliza um mandato que começa com capital político pessoal, mas cobra entrega administrativa imediata. Para investidores, significa que a lua de mel pode ser curta se indicadores de saúde, mobilidade e segurança não reagirem.

Voto decidido: a barreira dos 90%

Nove em cada dez eleitores afirmam que não mudam de opinião. Os 9% restantes — cerca de 180 mil votos no universo distrital — são o único oxigênio da campanha de Grass. A margem de erro de três pontos, porém, torna uma virada estatisticamente improvável, exigiria um erro sistemático de coleta ou evento externo de grande magnitude.

Mas o efeito mais relevante aparece na composição da futura base legislativa.

O que observar daqui para frente

A eleição de domingo (30) tende a confirmar o favoritismo. O ponto de atenção para o setor produtivo não é o “quem vence”, mas o “como governa”. A transição começa na segunda-feira, e a montagem do secretariado — especialmente nas pastas de Economia, Projetos Estratégicos e Relações Institucionais — ditará o ritmo dos primeiros 100 dias.

Fique atento à negociação com a Câmara Legislativa. A governadora eleita herdará uma base costurada por Ibaneis Rocha (MDB), mas a correlação de forças muda com a posse dos novos deputados distritais e federais. A capacidade de transformar 54% de votos em maioria estável nas votações de interesse econômico — incentivos fiscais, PPPs, zoneamento — será o verdadeiro teste de fogo a partir de janeiro.