Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no TSE um pedido para tornar públicos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos — estendendo a transparência à esposa e aos cinco filhos. A condição é única: que Flávio Bolsonaro faça o mesmo. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi direto: o silêncio do adversário soa como “desculpa”.
O documento entregue à Justiça Eleitoral lista empresas e familiares de ambos os lados. A jogada coloca o candidato do PL diante de um dilema político de alto risco a poucos dias do segundo turno.
O xeque-mate processual
A petição distribuída ao ministro André Mendonça não deixa margem para meias-palavras. Lula autoriza a divulgação ampla via DivulgaCandContas ou portal público antes da próxima quarta-feira. A defesa do petista incluiu procurações assinadas por Janja e pelos cinco herdeiros, entre eles Fábio Luís Lula da Silva, alvo de inquéritos da Polícia Federal.
Do lado oposto, a exigência atinge o núcleo duro do clã Bolsonaro: pai, mãe, três irmãos, a esposa Fernanda e uma rede de empresas. Destaque para a Alcazar Holdings, de Willer Tomaz, onde Flávio figura como “usuário master” em conta investigada por lavagem de dinheiro.
Por que Alckmin subiu o tom
Em agenda de campanha em Campinas, o vice-presidente enumerou os esqueletos que, segundo ele, justificam a recusa:
- Investigação sobre “rachadinha” no gabinete da Alerj;
- Denúncias de funcionários fantasmas;
- Relação com o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse;
- O cadastro como “usuário master” em conta de Willer Tomaz.
“Vida pública é pública. Não dá para ser candidato a presidente e não querer prestar contas”, resumiu Alckmin. A fala sinaliza que a campanha do PT tornará a transparência o eixo central da reta final.
Os dois inquéritos no Supremo
Flávio Bolsonaro responde a duas investigações no STF. A primeira apura lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. A segunda mira a captação de recursos via Banco Master para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa nega irregularidades e critica o vazamento de peças sigilosas em período eleitoral.
Até o momento, o candidato do PL afirmou não ter “nada a esconder”, mas evitou confirmar se assinará a autorização solicitada pelo TSE.
O que observar daqui para frente
O relator André Mendonça tem prazo curto para decidir. Se deferir o pedido e Flávio não aderir, a assimetria vira ativo de campanha imediato: “quem não deve, não teme”, como definiu o coordenador Éden Valadares. Para o mercado e analistas de risco político, a disposição de expor dados sensíveis — ou a recusa em fazê-lo — torna-se métrica de governança e previsibilidade institucional nos próximos dias.
Fique atento ao posicionamento do ministro Mendonça e à eventual manifestação da defesa de Flávio Bolsonaro até quarta-feira. A resposta ditará o ritmo da narrativa até a urna.
