Cosan abandonou o plano de vender uma fatia da Rumo e redirecionou o foco para a Compass. A guinada estratégica de Rubens Ometto pegou o mercado de surpresa e revela atritos nos bastidores da negociação.
O movimento sinaliza que o conglomerado prefere fortalecer a plataforma de gás e energia do que se desfazer do ativo ferroviário. A decisão tem impacto direto na alocação de capital dos próximos trimestres.
O que mudou na estratégia de Ometto
Até semanas atrás, a venda de participação na Rumo era tratada como prioridade para reduzir alavancagem. Agora, a Compass — braço de gás natural, distribuição e geração — assume o posto de protagonista.
Internamente, a avaliação é que a Compass oferece maior potencial de valorização no médio prazo. A Rumo, embora madura, exige capex intenso e tem crescimento atrelado a ciclos de safra.
A mudança não é apenas de ativo, mas de tese: o grupo aposta na transição energética como vetor de valor, não mais na logística pura.
O papel do BTG e as condições que assustaram compradores
O BTG Pactual, sócio da Cosan desde o aporte de R$ 10 bilhões no fim de 2023, teria imposto condições consideradas rígidas demais para a transação da Rumo. Segundo fontes próximas ao processo, as exigências afastaram fundos e estratégicos que avaliavam o ativo.
Entre os pontos de atrito, estariam governança, cláusulas de saída e valuation mínimo. A combinação travou o processo e forçou a reavaliação do portfólio.
Com o caminho da Rumo bloqueado, a Compass virou a alternativa natural para demonstrar execução e entregar retorno ao novo sócio.
Compass no centro do tabuleiro
A Compass reúne ativos de distribuição (Comgás), comercialização, geração a gás e infraestrutura de regaseificação. O portfólio permite capturar a demanda por energia mais limpa e firmar contratos de longo prazo.
- Comgás: maior distribuidora do país, base de 2,5 milhões de clientes.
- Geração: usinas termelétricas despachadas prioritariamente.
- Regaseificação: projeto de terminal no litoral paulista em fase avançada.
Essa diversificação reduz risco regulatório único e abre portas para parcerias industriais e financeiras.
O que observar daqui para frente
O mercado deve monitorar três frentes: eventual reestruturação de dívida no nível Cosan, cronograma de investimentos na Compass e sinais de reaproximação com compradores para a Rumo em janelas futuras. A relação com o BTG Pactual — agora sócio relevante — ditará o ritmo das próximas decisões de portfólio.
