A Vibra Energia projeta manter margens historicamente altas nos próximos anos, patamares que superam o período anterior às tensões geopolíticas recentes. A maior distribuidora de combustíveis do país não aposta apenas em sorte: a empresa credita a virada a ganhos estruturais duradouros. O mercado já precifica o otimismo, mas os números do terceiro trimestre sugerem que a transformação é mais profunda do que parecia.
O lucro líquido ajustado saltou para R$ 2,4 bilhões entre julho e setembro, quadruplicando o resultado do mesmo intervalo do ano anterior. O Ebitda ajustado acompanhou a escalada, atingindo R$ 4,3 bilhões — mais que o dobro dos R$ 1,8 bilhão registrados na comparação anual. A margem por metro cúbico disparou 142%, fechando em R$ 427.
Por que a rentabilidade não deve cair quando o mercado normalizar
Segundo o presidente Ernesto Pousada, a expansão não depende apenas de conjuntura favorável. Dois pilares sustentam a tese de permanência dos ganhos: o combate rigoroso a fraudes no setor e o fortalecimento da posição comercial da distribuidora. Em teleconferência com analistas, o executivo foi direto:
“Nós vamos ver margens, talvez não nesse mesmo patamar de hoje, mas bastante distantes do que vimos em 2025, quando ficaram próximas de R$ 200 por metro cúbico.”
A projeção para 2027 desenha um cenário de expansão simultânea de volume, market share e margem. A única trava citada para um crescimento mais agressivo é a disponibilidade física de produto.
Desalavancagem abre porta para novo ciclo de recompra
A saúde do balanço reforça a confiança da gestão. No trimestre, a dívida líquida caiu R$ 1,7 bilhão, levando a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) a 1,0 vez. Com o caixa mais robusto, a recompra de ações entrou oficialmente no radar.
O vice-presidente Financeiro, Mauricio Teixeira, confirmou que a alternativa “está na mesa”, embora a companhia ainda busque maior visibilidade antes de lançar um programa formal. Para o investidor, isso sinaliza duas coisas: disciplina de capital e excedente de geração de valor para o acionista.
- Lucro líquido ajustado (3T24): R$ 2,4 bi (+300% a/a)
- Ebitda ajustado (3T24): R$ 4,3 bi (+139% a/a)
- Margem Ebitda/m³: R$ 427 (+142% a/a)
- Alavancagem: 1,0x dívida líquida/Ebitda
- Redução de dívida no trimestre: R$ 1,7 bi
O termômetro do quarto trimestre e a incógnita da marca Petrobras
Os primeiros dados de outubro e novembro indicam que o ritmo forte se manteve. Teixeira afirmou que as margens do período seguem alinhadas ao fechamento de setembro, sugerindo que o quarto trimestre pode repetir a dose de resultados expressivos.
Mas existe um ponto de atenção estratégico: o contrato de licenciamento da marca Petrobras nos postos vence em 2029. Pousada classificou a renovação como “prioridade absoluta”, embora admita que as negociações formais ainda não começaram. A manutenção da bandeira é vital para a capilaridade e a percepção de valor da rede.
O que observar daqui para a frente
A tese de investimento na Vibra deixa de ser apenas cíclica e passa a ser estrutural. Os gatilhos de curto prazo são a confirmação do programa de recompra e a evolução das margens no 4T24. No médio prazo, a execução do plano de ganho de market share em 2025 e 2026 ditará se a meta de 2027 é factível. Já a renovação com a Petrobras remove o maior risco de longo prazo da tese. Quem acompanha o setor deve monitorar a oferta de produto no mercado — o único freio real citado pela gestão para uma aceleração mais agressiva.
