Um evento beneficente em Campo Grande coloca à venda peças de marcas internacionais por menos de dez reais — e a arrecadação financia projetos sociais que o poder público não cobre. A décima edição do Bazar Chic Beneficente acontece neste sábado (7), das 13h às 18h, no Clube Estoril, com entrada gratuita e estoque superior a 10 mil itens.
Mas o que chama atenção não é apenas o volume. É a engenharia de precificação que permite vender um tênis de R$ 600 por R$ 49 sem ferir a imagem das grifes envolvidas.
O modelo que une varejo de luxo e impacto social
A coordenadora de precificação, Eloir Marques, explica que as peças chegam por doação direta de fabricantes, distribuidores e lojistas que precisam liberar espaço em estoque sem queimar a marca no varejo tradicional. O resultado: descontos de até 95% sobre o preço de etiqueta, praticados em um canal que não compete com as lojas oficiais.
São 2 mil pares de calçados — mil deles novos na caixa — além de bolsas, acessórios, brinquedos, artigos para casa e roupas femininas, masculinas e infantis. Os valores iniciais:
- Blusas e vestidos femininos: a partir de R$ 12
- Camisas masculinas: a partir de R$ 25
- Bolsas: a partir de R$ 29
- Itens gerais: a partir de R$ 9
Leilão de grife: onde o ticket médio sobe
Além da venda direta nos estandes, a programação inclui leilão presencial de relógios, tênis e bolsas de grife. A dinâmica eleva o ticket médio do evento e atrai colecionadores e revendedores que sabem identificar valor de revenda — prática comum no mercado second-hand de luxo, que movimentou US$ 197 bilhões globalmente em 2023, segundo a ThredUp.
Pagamentos aceitos: dinheiro, Pix, débito e crédito. A estrutura foi pensada para eliminar atrito na conversão.
Por que grandes marcas participam de um bazar a R$ 9
A resposta está em três pilares: logística reversa, ESG e proteção de pricing power. Doar o excedente evita custos de armazenagem e destruição de estoque, gera crédito tributário em alguns regimes e alimenta relatórios de sustentabilidade — sem expor o produto em outlets ou marketplaces que depreciariam a percepção de valor da marca.
Para o varejista local, o evento funciona como termômetro: filas e itens esgotados nas primeiras horas sinalizam demanda reprimida por categorias específicas, informação que orienta compras futuras.
O que observar daqui para frente
A décima edição consolida o formato como ativo recorrente no calendário da capital. Se a curva de arrecadação mantiver o crescimento das últimas edições — a nona superou R$ 800 mil líquidos —, o modelo pode ser replicado em outras praças com polos industriais de moda, criando uma rede de bazares beneficentes de alto giro.
Para quem atua em varejo, logística ou investimento de impacto, vale mapear: quais marcas doam, quais categorias têm maior saída e como a precificação dinâmica do leilão se comporta em tempo real. O próximo sábado entrega dados de campo que nenhum relatório de consultoria substitui.
