A Snap, dona do Snapchat, fechou um acordo durante o julgamento movido por dois adolescentes que acusavam a plataforma de causar dependência, depressão e transtornos alimentares. O acerto ocorreu depois que a seleção do júri já havia começado no tribunal estadual de Los Angeles, poupando a empresa de um segundo processo a chegar ao veredito.
As autoras — uma jovem de 16 anos de Illinois e outra de 18 do Mississippi — alegavam ter começado a usar YouTube aos três anos e as demais redes por volta dos nove, desenvolvendo hábitos compulsivos impulsionados por rolagem infinita e reprodução automática. A Snap não comentou o acordo até o momento.
O efeito dominó nos gigantes da tecnologia
Este não foi um caso isolado. As mesmas autoras já haviam fechado acordos com Meta, TikTok e YouTube (Alphabet) antes do julgamento. Em março, o primeiro caso a ir a júri condenou Meta e YouTube a pagar US$ 6 milhões (cerca de R$ 32,7 milhões) a uma jovem por negligência.
Dois adolescentes seguintes desistiram ou acertaram. O primeiro distrito escolar selecionado para julgamento também fechou com todas as empresas. O padrão é claro: evitar o veredito público virou estratégia padrão.
O cheque de US$ 18 bilhões que condiciona o futuro
Em agosto, a Meta acertou até US$ 18 bilhões com quase todos os estados e territórios dos EUA para encerrar ações de procuradores-gerais. O detalhe decisivo: US$ 5 bilhões desse total só serão liberados se Snap, TikTok e YouTube fecharem acordos semelhantes.
Isso transforma cada negociação bilateral em peça de um quebra-cabeça maior. O acordo da Snap desta segunda-feira (2) pode destravar bilhões para os cofres estaduais — e forçar mudanças operacionais nas três plataformas simultaneamente.
O que as empresas alegam na defesa
Todas as rés negam que seus produtos foram desenhados para viciar. Argumentam ter implementado ferramentas de segurança, controles parentais e limites de tempo para tornar os ambientes mais seguros para jovens.
Os advogados das autoras, John Morgan e Emily Jeffcott, rebatem: “Nosso objetivo final é responsabilizar essas empresas pelo impacto que suas ações causaram a milhões de crianças em todo o país”.
- Milhares de processos correm em cortes federais e estaduais
- Autores incluem indivíduos, distritos escolares, municípios e estados
- Acusações centrais: design viciante, crise de saúde mental, ansiedade, depressão, suicídio
O que observar daqui para frente
O próximo marco será a adesão do TikTok e do YouTube aos acordos estaduais condicionados ao pagamento da Meta. Se ambos fecharem, US$ 5 bilhões adicionais entram em jogo — e as mudanças de produto prometidas (restrições algorítmicas, verificação etária mais rígida, limites de notificação) viram obrigação contratual, não apenas promessa de relações públicas. Para investidores e conselhos de administração, o custo de conformidade acaba de virar variável concreta no balanço.
