A Raspberry Pi Foundation elevou novamente o preço das placas com 16 GB de RAM, fazendo o modelo topo de linha saltar de US$ 305 para US$ 385 em novembro. O reajuste de até US$ 80 atinge diretamente quem planeja projetos de alta performance ou clusters de edge computing. A conta não fecha mais como antes.
Esse é o quinto aumento em menos de um ano. Modelos de entrada mantêm certa estabilidade, mas as versões de maior densidade acumulam valorizações que superam 200% no período. Entender o que move essa curva é essencial para definir orçamentos de hardware em 2027.
O choque nos números: quanto subiu cada versão
A tabela oficial revela uma escalada agressiva focada nas configurações com 8 GB e 16 GB. O Raspberry Pi 5 de 16 GB, lançado por US$ 120 em 2025, custa hoje mais que o triplo. O Compute Module 5 de 16 GB também subiu US$ 40, variando conforme armazenamento e Wi-Fi.
- Raspberry Pi 5 (16 GB): US$ 120 → US$ 385 (nov/2026)
- Raspberry Pi 5 (8 GB): US$ 80 → US$ 175
- Raspberry Pi 4 (8 GB): US$ 75 → US$ 165
- Modelos de 1 GB e 2 GB: variações entre 0% e 55%
A discrepância é clara: quem precisa de pouca memória sente pouco o bolso. Quem escala projetos para cargas pesadas paga a conta da escassez global.
Por que só as memórias grandes sofrem?
A resposta vem do próprio CEO da fundação. Não há fornecedor alternativo para chips DRAM de 16 Gb (gigabits) de densidade única, tecnologia necessária para montar módulos de 16 GB em placa única. A escassez se estende a controladores de energia e PHYs de rede, criando um gargalo de oferta inelastic.
Enquanto a indústria prioriza produção de memórias para servidores de IA e smartphones premium, o nicho de SBCs (Single Board Computers) fica com a sobra — e paga o prêmio por ela.
Impacto real para quem compra no Brasil
Na conversão direta, o Pi 5 de 16 GB passa de R$ 2.094, sem impostos, frete ou margem de distribuidor. Em projetos que exigem dezenas de unidades — como automação industrial, digital signage ou gateways IoT —, a diferença no Capex torna a plataforma menos competitiva frente a alternativas x86 de entrada ou módulos SoM concorrentes com supply chain mais estável.
Para o desenvolvedor individual, o custo-benefício do ecossistema (software, community, peripherals) ainda pode justificar. Para o tomador de decisão corporativo, a equação mudou: o TCO (Custo Total de Propriedade) precisa ser recalculado considerando a volatilidade de preço do hardware base.
O que observar daqui para frente
A fundação não sinalizou teto para os reajustes enquanto a oferta de DRAM de alta densidade não se normalizar. Fique atento a três movimentos nos próximos trimestres: lançamento de revision de silício que aceite memórias mais comuns, entrada de clones compatíveis com supply chain própria e possíveis anúncios de Raspberry Pi 6 com arquitetura de memória redesenhada. Travar compras grandes hoje sem cláusula de preço fixo é risco alto; diversificar a arquitetura de referência do projeto deixa de ser opção e vira necessidade estratégica.
