Economia

SC encerra desinfecção de Newcastle; laudos desta semana definem volta das exportações

Equipe de vigilância agropecuária realiza desinfecção em granja de perus no Oeste de Santa Catarina após foco de Doença de Newcastle
Desinfecção concluída em granjas catarinenses; laudos laboratoriais definirão retomada das exportações de carne de aves.

Santa Catarina finalizou a desinfecção das três granjas de perus atingidas pela Doença de Newcastle, mas o destino das exportações brasileiras de carne de aves ainda depende de laudos laboratoriais previstos para sair nos próximos dias. O resultado dessas análises vai embasar os estudos estatísticos necessários para que o Ministério da Agricultura negocie a reabertura total dos mercados internacionais fechados desde 18 de outubro.

Enquanto o Oeste catarinense cumpre o vazio sanitário, o México já sinalizou a retomada das compras. A China e a Arábia Saudita mantêm embargos regionais, e o Uruguai segue com bloqueio total. A janela para a normalização plena do comércio exterior se abre agora — e cada dia de atraso pesa no faturamento do setor.

O que já mudou no mapa das restrições

A detecção do vírus em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim — mais o município de Águas Frias na zona de emergência — provocou reações desiguais entre os principais compradores:

  • México: primeiro a reabrir, autorizando novamente a entrada de produtos avícolas do Brasil.
  • China e Arábia Saudita: mantêm embargo restrito à carne originária de Santa Catarina ou da área do foco.
  • Uruguai: única nação, ao lado do México, que suspendeu totalmente as importações brasileiras e ainda não recuou.

Essa fragmentação exige do governo federal uma estratégia país a país, baseada em evidências técnicas que só os exames pendentes podem fornecer.

Operação em números: escala e rigor do controle

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) coordenou uma força-tarefa que mobilizou 68 profissionais — entre veterinários, técnicos, assistentes e agentes de segurança. O balanço parcial mostra a dimensão do cerco sanitário:

  • Mais de 200 propriedades inspecionadas na região.
  • 91 análises laboratoriais já realizadas.
  • Duas amostras aguardam conclusão do sequenciamento genético.
  • Quatro barreiras ativas para fiscalização e desinfecção de veículos.

As três granjas comerciais estão em vazio sanitário: instalações vazias, sem aves, pelo tempo necessário para garantir a ausência de circulação viral antes de receber novo lote. É a etapa final de um protocolo que começou com despovoamento e limpeza profunda.

Risco humano e transmissão: o que a ciência diz

Apesar do nome alarmante, a Doença de Newcastle não oferece ameaça relevante à saúde pública. Em humanos, a infecção se limita a conjuntivite transitória, com duração média de uma semana. A transmissão ocorre por contato direto com aves infectadas ou secreções — não há evidência de contágio pelo consumo de carne ou ovos bem preparados.

Desde o primeiro foco, os órgãos sanitários reforçam: não foram encontradas aves doentes, apenas a circulação do vírus. Esse detalhe técnico é central para as negociações internacionais, pois diferencia um surto clínico de uma detecção de vigilância ativa.

Educação sanitária como escudo futuro

Paralelo ao combate direto, a Cidasc ampliou ações de educação sanitária na última semana, alcançando milhares de estudantes e dezenas de estabelecimentos agropecuários. A meta é internalizar medidas de biossegurança nas rotinas de produção — desde pequenos criadores até grandes integradoras — para reduzir a vulnerabilidade a novos ingressos do vírus, seja por aves migratórias ou falhas de manejo.

O que observar daqui para frente

Os próximos dias são decisivos. A divulgação dos dois sequenciamentos genéticos pendentes permitirá ao Ministério da Agricultura finalizar os dossiês técnicos que cada país importador exige para rever suas barreiras. Para o empresário do setor, três sinais merecem monitoramento diário:

  • Publicação dos laudos oficiais e envio às missões diplomáticas.
  • Posicionamento da China e Arábia Saudita — maiores volumes — sobre a transição de embargo regional para livre comércio.
  • Movimento do Uruguai, que costuma alinhar decisões ao bloco do Mercosul, mas mantém autonomia sanitária.

A desinfecção concluída é o pré-requisito cumprido. Agora, a velocidade da burocracia científica e diplomática ditará o ritmo da recuperação financeira de uma cadeia que responde por bilhões em receita cambial anual.