A Klabin confirmou que o volume excepcional de chuvas no Paraná deve comprometer sua capacidade produtiva pelo menos até março do ano que vem. O aviso partiu do próprio presidente da maior fabricante de papel para embalagens do país. A extensão do prazo pegou analistas de surpresa e acende um alerta imediato para a cadeia de suprimentos.
O tamanho do problema no campo e na logística
Desde setembro, o excesso hídrico inviabiliza a colheita e o transporte de madeira nas florestas da empresa. Não é apenas o acesso às áreas de plantio que está bloqueado; a logística ferroviária e rodoviária que escoa a celulose e o papel também opera com restrições severas.
O fenômeno El Niño, classificado como de forte intensidade pelos institutos de meteorologia, mantém a previsão de precipitações acima da média histórica para o Sul do Brasil nas próximas semanas. Isso posterga qualquer normalização operacional para o primeiro trimestre de 2027.
Impacto direto no caixa e nos contratos
Para o investidor, a equação é simples: menor volume produzido pressiona a receita líquida e eleva o custo unitário de produção. A companhia já admite que terá de acionar fornecedores alternativos de madeira a preços de spot, mais caros, para honrar contratos de longo prazo.
No lado da demanda, o mercado de embalagens segue aquecido. A oferta restrita da Klabin — que detém fatia dominante no Brasil — pode empurrar preços do papelão ondulado para cima no curto prazo, repassando a conta para o varejo e a indústria de bens de consumo.
Três frentes de pressão operacional
- Florestal: Solo encharcado impede máquinas de colheita e forwarders; risco de compactação do solo adia replantio.
- Industrial: Unidades de Ortigueira e Telêmaco Borba recebem matéria-prima intermitente, forçando paradas não programadas.
- Logística: Trechos da Ferrovia Norte-Sul e rodovias de acesso (BR-376, PR-151) com histórico de interdições por deslizamentos.
Cenários para o primeiro trimestre de 2027
A gestão da Klabin trabalha com duas variáveis decisivas. A primeira é a velocidade de secagem do solo a partir de abril, início do outono. A segunda é a capacidade de recompor os estoques de madeira nas fábricas antes do inverno, período sazonalmente mais seco.
Analistas projetam que, se as chuvas cedem em março, a normalização total da taxa de operação ocorreria apenas no segundo trimestre. Até lá, a empresa deve priorizar a produção de celulose de maior valor agregado em detrimento de papéis de menor margem.
O que observar daqui para frente
O mercado deve monitorar três indicadores nas próximas conferências de resultados: o nível de estoque de madeira nas fábricas (em dias de consumo), o custo caixa da celulose por tonelada e a taxa de ociosidade das máquinas de papel. A combinação desses dados revelará se a Klabin consegue proteger a geração de caixa operacional ou se haverá revisão de guidance para 2027.
