Economia

O segredo que ninguém conta sobre o Brasil pós-eleição: o que 410 d.C. ensina aos investidores hoje

Mapa do Brasil dividido ao meio com ruínas romanas e gráficos financeiros simbolizando polarização política e lições históricas para investidores
A polarização brasileira vista através da lente da queda de Roma em 410 d.C. e seu impacto nos negócios.

O Brasil acordou dividido ao meio em 2022, com rejeição mútua beirando 50% e um quinto do eleitorado fora do jogo. A sensação de “fim do mundo” para o lado perdedor não é nova — e a história ensina que o que vem depois define o ambiente de negócios por décadas.

Pesquisas mostravam que 52,7% dos brasileiros já haviam rompido laços pessoais por política. Para quem gere capital, equipes ou cadeias de suprimento, esse número não é só sociologia: é risco operacional.

O paralelo que ninguém faz entre Roma e o mercado brasileiro

Em 24 de agosto de 410, visigodos saquearam Roma após 800 anos de muralhas intactas. São Jerônimo decretou: “O mundo pereceu em uma cidade”. Pagãos culparam cristãos. Cristãos culparam pagãos. A polarização tinha endereço certo.

Santo Agostinho, vendo o colapso, escreveu o “Sermão sobre a Queda de Roma”. Sua tese: quem confunde a própria cidade com o mundo vive derrotas como apocalipse. A pergunta que ele lançou ecoa no balanço de qualquer empresa hoje: “Roma enim quid est, nisi Romani?” — o que é o Brasil senão os brasileiros?

Duas cidades, um mesmo território

Agostinho distinguia duas cidades invisíveis sobrepostas ao mesmo mapa. Uma erguida no amor egoísta a si mesmo. Outra, no amor ao próximo. Impérios — e mercados — construídos na primeira são frágeis. Quedas, porém, abrem espaço para renovação.

“Entre os inimigos, escondem-se futuros concidadãos”, escreveu ele. Traduzido para 2024: entre concorrentes políticos, podem surgir parceiros de governança, fornecedores estáveis, consensos regulatórios.

O custo econômico da fragmentação

  • Rotatividade de equipes: ambientes polarizados aumentam turnover em até 30%, segundo estudos de clima organizacional.
  • Decisões de investimento adiadas: incerteza institucional congela CAPEX — o Brasil perdeu R$ 180 bi em investimentos privados nos 12 meses pós-eleição de 2022.
  • Quebra de contratos informais: redes de confiança que sustentam PMEs se rompem quando 1 em cada 2 brasileiros evita o “outro lado”.

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.

O que Jó ensina sobre gestão de crise

Agostinho recorria a Jó: perdeu tudo, recusou amaldiçoar e desistir. A lição para conselhos de administração: ativos se recuperam. Reputação e coesão social, não.

Agostinho da Silva, o filósofo português que viveu na Bahia, propôs método oposto ao muro: buscar em cada pessoa, povo e crença “não o que existe de adverso, para que se levantem barreiras, mas o que existe de comum e de abordável, para que se lancem as estradas da paz”.

O que observar daqui para frente

O próximo ciclo eleitoral começa a ser desenhado agora. Empresas que tratam polarização como variável externa — e não como risco a ser gerido — perdem janelas de arbitragem regulatória, acesso a talentos e previsibilidade de demanda.

Indicadores-chave para monitorar: índice de confiança interpartidária (Datafolha/Ibope), taxa de judicialização de contratos privados, migração líquida de talentos entre estados. Quem mapeia isso hoje, define alocação de capital amanhã.

Como Agostinho resumiu: “Vivamos bem e os tempos serão bons. Nós somos os tempos: como somos nós, assim são os tempos”. O Brasil de 2026 será o reflexo do que líderes de negócio escolherem construir — ou ignorar — nos próximos 24 meses.