Donald Trump anunciou a eliminação de tarifas de 50% sobre uma lista de produtos canadenses ligados à agricultura e ao setor florestal. A decisão atende a um apelo direto de republicanos que enfrentam disputas apertadas no Senado nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.
A medida afeta maquinário especializado, materiais de embalagem e caixas plásticas — itens que, segundo parlamentares, não têm substitutos nacionais viáveis. Mas a Casa Branca já sinalizou que novas taxas incidirão sobre outros bens a partir de 30 de outubro.
Por que o recuo aconteceu agora
Senadores como Susan Collins, no Maine, e candidatos como Mike Rogers, em Michigan, e John Sununu, em New Hampshire, tornaram as tarifas um tema central de campanha. Pesquisas mostram que a inflação e o custo de vida lideram as preocupações do eleitorado a menos de duas semanas da votação.
Collins classificou os produtos isentos como “parte vital” da economia de seu estado. Rogers veicula anúncios contra as taxas, e Sununu defende que o Congresso reassuma poderes comerciais. A pressão interna superou a estratégia da Casa Branca de manter a linha dura.
O que sai da lista — e o que entra
- Isentos: equipamentos agrícolas, embalagens plásticas, caixas e materiais de acondicionamento.
- Novas tarifas (a partir de 30/10): válvulas, carpetes e resíduos.
O anúncio foi feito na sexta-feira pela Casa Branca. A troca de alvos sugere um cálculo político: aliviar setores sensíveis em estados-pêndulo sem abrir mão da retórica protecionista.
Reação do setor produtivo canadense
Derek Nighbor, presidente da Associação de Produtos Florestais do Canadá, chamou o alívio de “limitado”. Madeira serrada, móveis e armários seguem sujeitos a uma “teia crescente de taxas”, nas palavras dele. A Federação Canadense de Agricultura cobra a retirada de todas as tarifas recentes e medidas retaliatórias para garantir previsibilidade.
Do lado americano, a incerteza persiste. A Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, invocada em julho para justificar as taxas de 50%, nunca havia sido usada contra parceiros comerciais. Isso abre precedente para novas investidas unilaterais.
O cenário para os próximos meses
As tarifas de segurança nacional de 50% sobre aço e alumínio canadenses permanecem em vigor. A integração das cadeias produtivas na América do Norte — especialmente no agronegócio e na indústria de base florestal — torna qualquer oscilação tarifária um fator de risco imediato para custos e planejamento.
O que observar daqui para frente: se a Casa Branca ampliar a lista de isenções antes da votação, se o Congresso tentará legislar sobre poderes tarifários e como o Canadá responderá nas negociações do USMCA. Para quem opera nas duas margens da fronteira, a única certeza é que a volatilidade continuará a ditar o ritmo dos negócios.
