Uma motociata sob chuva forte reuniu centenas de motociclistas na capital gaúcha neste sábado (24), véspera do segundo turno mais polarizado da história recente. O evento serviu como último grande termômetro de rua da campanha presidencial no Rio Grande do Sul.
O trajeto partiu do Sítio do Laçador em direção ao Parcão, reunindo não apenas a base militante, mas a nata da nova direita eleita pelo estado. A presença de peso sinaliza como as forças políticas locais pretendem se posicionar a partir de segunda-feira.
Os nomes que dão o tom da mobilização
Não foi apenas volume de motos que chamou atenção. A liderança do ato ficou por conta de figuras que assumem mandatos de alto calibre em 2023:
- Marcel van Hattem: Senador eleito com votação recorde, articulador nacional do liberalismo conservador.
- Eduardo Leite (Zucco): Governador reeleito no primeiro turno, chefe do Executivo gaúcho.
- Bancada federal: Deputados eleitos que comporão a tropa de choque no Congresso.
Essa configuração transforma o ato de “apoio a candidato” em uma demonstração de força institucional. Quem estava no palanque não depende do resultado de domingo para governar.
Por que o Rio Grande do Sul virou peça-chave
O estado tem o segundo maior colégio eleitoral do Sul e histórico de definir eleições apertadas. Em 2018, a vantagem local foi decisiva para a vitória nacional. Pesquisas de véspera indicavam disputa voto a voto no território gaúcho.
A chuva constante durante todo o percurso funcionou como filtro natural: quem compareceu demonstra engajamento de alta intensidade. Para analistas de risco político, isso costuma se traduzir em comparecimento real nas urnas — o “voto duro” que não falha.
O que muda na segunda-feira para o empresariado
Independentemente do vencedor, a geometria do poder no RS está posta. O governador reeleito terá de negociar com um Senado onde van Hattem tem protagonismo e uma bancada federal alinhada ao palanque de ontem.
Três vetores merecem monitoramento imediato:
- Reforma Tributária: Alinhamento do estado com bancadas influentes no texto final.
- Dívida com a União: Renegociação depende de articulação simultânea no Piratini e no Congresso.
- Licenciamento e infraestrutura: Novo marco regulatório estadual deve avançar com base aliada coesa.
O termômetro das ruas versus as urnas
Histórico recente mostra que grandes mobilizações de véspera nem sempre antecipam o resultado — mas revelam a temperatura da base. Em 2022, atos semelhantes em São Paulo e no Rio precederam vitórias no primeiro turno que não se confirmaram na apuração final.
O diferencial gaúcho é a capilaridade: o mesmo grupo que organizou a motociata controla prefeituras estratégicas, câmaras de vereadores e a máquina estadual. A capacidade de conversão de presença em voto é testada hoje.
O que observar nas próximas 48 horas
O fechamento das urnas às 17h de domingo inicia a contagem regressiva para a transição. Para quem toma decisão de alocação de capital ou planejamento estratégico, três sinais práticos emergem:
- Velocidade do reconhecimento do resultado pelos líderes presentes no Parcão.
- Primeiros movimentos da bancada gaúcha na eleição das mesas diretoras do Congresso (fevereiro).
- Sinalização do Piratini sobre pautas prioritárias nos primeiros 100 dias.
A motociata debaixo d’água acabou. O jogo institucional começa agora — e as cartas já estão na mesa.
