Tecnologia

O segredo da agricultora que trouxe drones ao Oeste da Bahia e entrou na Forbes

Suzana Muterle Viccini em sua fazenda no Oeste da Bahia com drones de agricultura de precisão
A agricultora Suzana Muterle Viccini, destaque na Forbes, revolucionou a gestão da fazenda familiar com drones e bioinsumos no Oeste da Bahia.

Suzana Muterle Viccini transformou a fazenda da família no Oeste da Bahia em um laboratório a céu aberto de agricultura de precisão. Após três décadas no campo, ela ganhou destaque na Forbes pela adoção massiva de drones e bioinsumos. A revolução tecnológica, no entanto, começou muito antes da premiação.

A virada de chave na gestão da propriedade

Quando a família chegou à região, a atividade era marcada pelo método tradicional e pela intuição. Suzana assumiu a gestão com um mandato claro: profissionalizar cada processo decisório. O primeiro passo foi substituir o “achismo” por dados concretos de solo e clima.

Essa mudança de mentalidade permitiu que a propriedade escalasse a produção sem perder a identidade familiar. Hoje, a fazenda opera com protocolos padronizados que servem de referência para vizinhos e cooperativas da região.

Drones e agricultura de precisão: o impacto direto no bolso

A introdução de drones não foi um capricho estético, mas uma resposta à necessidade de eficiência. O monitoramento aéreo permite identificar falhas de plantio, pragas e estresse hídrico com precisão centimétrica.

Na prática, isso se traduz em:

  • Redução significativa no volume de defensivos aplicados;
  • Otimização da mão de obra em áreas de difícil acesso;
  • Decisões de manejo tomadas em horas, não em dias.

O retorno sobre o investimento apareceu na safra seguinte, com ganhos de produtividade que justificaram a expansão da frota de equipamentos.

Bioinsumos: a aposta na sustentabilidade rentável

Paralelamente à mecanização avançada, Suzana liderou a transição para o uso intensivo de bioinsumos. A estratégia combinou controle biológico de pragas com inoculantes de alta performance para fixação de nitrogênio.

O resultado foi uma queda progressiva na dependência de insumos químicos importados. Em cenários de alta do dólar e gargalos logísticos, a autonomia biológica funcionou como um hedge natural para o negócio.

Mas o efeito mais relevante aparece na saúde do solo a longo prazo. A matéria orgânica e a microbiologia do perfil recuperado garantem resiliência climática que nenhum seguro agrícola consegue cobrir.

O que observar daqui para frente

O reconhecimento da Forbes coloca a executiva no radar de fundos de investimento e multinacionais do setor. A tendência é que a propriedade funcione cada vez mais como um hub de validação de tecnologias pré-comerciais.

Para o empresário do agro, o caso deixa uma lição prática: a modernização não exige abandonar a raiz familiar. Exige, sim, a coragem de trocar a prancheta pelo tablet e o trator por dados — antes que o mercado force essa troca por você.