Justiça

Datafolha no DF: Vantagem de 18 pontos sela destino do governo?

Gráfico Datafolha mostra Celina Leão (PP) 59% e Leandro Grass (PT) 41% votos válidos 2º turno DF
Pesquisa Datafolha aponta vantagem de 18 pontos para Celina Leão sobre Leandro Grass na véspera do segundo turno no Distrito Federal.

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24) coloca Celina Leão (PP) com 59% dos votos válidos contra 41% de Leandro Grass (PT), na véspera do segundo turno no Distrito Federal. A distância de 18 pontos percentuais desenha um cenário de difícil reversão, mas um detalhe técnico mantém a tensão no ar até o fechamento das urnas.

O que os 59% significam na prática para o eleitorado

No cálculo de votos válidos — que exclui brancos, nulos e indecisos e espelha a contagem oficial do TSE — a atual governadora ultrapassa a barreira dos 50% mais um com folga. Na contagem total, que inclui todos os ouvidos, Celina registra 54% contra 38% do adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Mesmo no pior cenário estatístico para a candidata à reeleição (57% a 43%), a vantagem permanece robusta. Para o mercado e para a gestão pública, isso sinaliza alta previsibilidade na continuidade administrativa a partir de 2025.

O voto espontâneo revela o tamanho do desafio da oposição

Quando o eleitor responde sem ver a lista de candidatos, a fotografia muda de figura. Celina some para 47% e Grass cai para 30%. O dado crítico aqui é outro: 11% declaram-se indecisos na véspera da eleição.

  • Celina Leão (PP): 47% (estável em relação ao levantamento anterior)
  • Leandro Grass (PT): 30% (oscilação positiva de 1 ponto)
  • Indecisos: 11% (subiu 1 ponto)
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 5%

Esse volume de indecisos na reta final costuma indicar que uma fatia do eleitorado ainda não internalizou a escolha, o que, em tese, abre uma janela estreita para mobilização de última hora.

Consolidação recorde: 92% não mudam de ideia

O termômetro mais preciso da estabilidade do pleito não está nas intenções, mas na convicção. Entre quem já escolheu candidato, 92% afirmam que a decisão é definitiva. Apenas 7% admitem possibilidade de mudança.

Esse índice de travamento do voto é atípico para vésperas de segundo turno e funciona como um “freio de mão” estatístico para qualquer tentativa de virada. Para analistas de risco político, reduz drasticamente a probabilidade de surpresas no domingo.

Cenários para o segundo turno: o que observar nas urnas

A pesquisa ouviu 1.620 eleitores entre 23 e 24 de outubro, com registro DF-03453/2026 no TSE. O nível de confiança é de 95%. Dados em mãos, três variáveis definirão a dinâmica real da apuração:

  • Abstenção diferencial: Se eleitores de um lado comparecerem menos que do outro, a proporção de votos válidos se altera.
  • Destino dos indecisos: Historicamente, tendem a se dividir ou a optar por branco/nulo em contextos de favoritismo claro.
  • Voto “útil” tardio: Eleitores de outros campos ideológicos que comparecem apenas para evitar um resultado.

O que monitorar a partir de segunda-feira

Com a definição matemática encaminhada, o foco do setor produtivo migra para a composição da base de apoio na Câmara Legislativa e para os primeiros sinais do secretariado. A amplitude da vitória — se confirmada nas urnas — dita o capital político inicial para negociação de pautas tributárias, infraestrutura e concessões. O primeiro indicador concreto virá no discurso de vitória: tom conciliador ou de confronto define a temperatura dos primeiros 100 dias de gestão.