O primeiro ciclista autuado na fiscalização de bicicletas e patinetes nas ciclovias de São Paulo é entregador de aplicativo e afirma que a multa de R$ 130,16 corresponde a praticamente uma jornada inteira de renda. A abordagem aconteceu na Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste, no dia 13 de outubro, por volta do meio-dia. Mas a versão do trabalhador diverge frontalmente da registrada pelos agentes.
Quem é o ciclista e por que a multa pesa tanto
Daniel da Silva Santos, 27 anos, mora em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e pedala profissionalmente desde janeiro de 2025. No momento da autuação, ele estava em horário de trabalho, usando bicicleta convencional — sem assistência elétrica. Em vídeo, o entregador sustenta que trafegava no sentido correto, à direita da ciclovia, e nega qualquer conduta agressiva.
O valor da penalidade, segundo ele, compromete despesas básicas da casa onde vive com a mãe: contas de água, luz ou compras do mês. “Às vezes pode ser até um dia de trabalho nosso”, resume.
A versão da CET e os números da operação
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apresenta outra narrativa. Segundo o órgão, Daniel foi autuado por:
- Transitar na contramão da ciclovia
- Avançar sinal vermelho
- Desrespeitar a sinalização
- Colocar em risco a própria segurança e a de terceiros
A abordagem contou com apoio de dois agentes da Guarda Civil Metropolitana. A fiscalização começou em 13 de outubro, após 45 dias de ações educativas, amparada pela Portaria SMT/SEMTRA nº 023/26.
Uma multa em 777 abordagens: o que o dado revela
Até 22 de outubro, os agentes realizaram 777 abordagens em toda a cidade. A autuação de Daniel foi a única registrada no período. O número baixo de penalidades diante do volume de paradas sugere que a fase atual ainda privilegia a orientação — mas o precedente está aberto.
A CET confirmou que as operações continuarão em esquema de rodízio. Os próximos pontos previstos incluem a Faria Lima (próximo à Rua Tucumã) e a Rua da Consolação.
O que observar daqui para frente
Para quem pedala profissionalmente na capital, o caso acende um alerta duplo: a fiscalização saiu do papel e a margem de erro, na prática, pode ser menor do que o período educativo sugeria. A divergência entre a versão do ciclista e o relatório oficial também levanta dúvidas sobre critérios de autuação e meios de defesa. Acompanhar os próximos balanços da CET — especialmente a taxa de conversão de abordagens em multas — será essencial para entender se o caso de Daniel foi exceção ou começo de padrão.
