O Tribunal de Contas da União deu quitação plena às contas de 2025 do Banco Central, incluindo a gestão de Gabriel Galípolo. A decisão sai uma semana após o julgamento ter sido suspenso por pressão do Ministério Público. O caso Master, porém, continua em investigação separada — e pode trazer consequências distintas.
A Segunda Câmara aprovou a prestação de contas anual por unanimidade, seguindo recomendação técnica da AudBancos. Nove responsáveis receberam quitação plena. Mas o alívio institucional tem data de valididade incerta.
Por que o julgamento travou na semana passada
Em 13 de outubro, o MPTCU pediu a suspensão argumentando que fatos apurados na liquidação do Banco Master poderiam contaminar a avaliação da gestão do BC. Os ministros concordaram em aguardar o trânsito em julgado do processo paralelo — ou seja, a decisão definitiva, sem possibilidade de recurso.
O recuo durou sete dias. Nesta terça (20), o relator Jorge Oliveira retomou a análise e entendeu que a prestação de contas de 2025 deve ser julgada pelos elementos do próprio processo. A área técnica já não via irregularidades capazes de comprometer a regularidade.
O que a quitação plena significa — e o que não significa
A aprovação encerra o processo de contas anuais. Confere regularidade formal à gestão no exercício findo em dezembro de 2025. Não equivale, contudo, a um atestado geral sobre a atuação do BC no caso Master.
- Processo encerrado: prestação de contas 2025 (TCU 020.XXX/2026)
- Processo aberto: atuação do BC na liquidação extrajudicial do Master (relatoria Jhonatan de Jesus)
- Data da liquidação: novembro de 2025
- Próxima etapa: julgamento pelo plenário do TCU — sem data definida
O fio que ainda pode puxar o novelo
A investigação principal examina se o BC observou procedimentos legais na fiscalização e supervisão do Master antes de decretar a liquidação extrajudicial. Questiona também os critérios adotados no acompanhamento das atividades da instituição.
Em janeiro, o ministro Jhonatan de Jesus determinou inspeção nos procedimentos que levaram à liquidação. O BC contestou, alegando que a medida exigia decisão colegiada. A controvérsia foi submetida ao plenário e, após reunião entre Galípolo e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, afastou-se a necessidade de cautelar para suspender a liquidação. A apuração, porém, prosseguiu.
O que observar daqui para frente
Empresários e investidores devem monitorar dois vetores. Primeiro: o julgamento do plenário sobre a atuação do BC no caso Master — que pode resultar em recomendações, determinações ou até responsabilizações individuais. Segundo: eventuais reflexos na credibilidade da supervisão bancária e na previsibilidade regulatória.
A separação dos processos foi a saída institucional encontrada para não travar a rotina de contas. Mas o nó da fiscalização sobre o Master continua atado. O desfecho dirá se a quitação de hoje resiste ao teste do tempo.
