Economia

iFood Benefícios compra Caju e cria gigante de R$ 150 bi: o que muda para seu bolso

Logos do iFood Benefícios e Caju unidos simbolizando fusão de R$ 150 bilhões em vales-refeição
Fusão cria gigante com 3 milhões de usuários e 130 mil empresas clientes no setor de benefícios

O iFood Benefícios oficializou a compra da rival Caju nesta terça-feira (20), num movimento que redesenha o mapa dos vales-refeição e alimentação no Brasil. A operação ainda precisa do aval do Banco Central e do Cade, mas já nasce com números que assustam a concorrência.

Juntas, as duas plataformas somarão 3 milhões de usuários e 130 mil empresas clientes — um salto que coloca o novo player no retrovisor da VR Benefícios e encurta a distância para as três líderes absolutas do setor.

O tamanho do prêmio em jogo

O mercado de benefícios corporativos movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano e atende mais de 22 milhões de trabalhadores vinculados ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). São 470 mil empresas inscritas no programa.

Os valores da transação não foram revelados, mas fontes de mercado estimam a faixa das centenas de milhões de reais. Não é a primeira tentativa: o iFood já havia procurado a Caju há cerca de três anos. As conversas atuais começaram em junho.

Números que explicam a pressa

  • iFood Benefícios: 1,7 milhão de usuários, 65 mil empresas, R$ 1,3 bilhão transacionados por mês
  • Caju: 1,3 milhão de usuários, 70 mil empresas, 700 funcionários
  • Combinado: 3 milhões de usuários, 130 mil empresas
  • Líderes atuais (Alelo, Edenred, Pluxee): mais de 10 milhões de usuários cada

Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, resume a tese: a transação tem potencial para “dobrar o tamanho da operação”. A unidade vem crescendo receita a 80% ao ano desde 2023.

O pano de fundo regulatório que ninguém ignora

Em novembro de 2025, um decreto presidencial limitou em 3,6% as taxas que operadoras podem cobrar de restaurantes, supermercados e estabelecimentos similares. Antes, os grandes players operavam em arranjo fechado com taxas superiores.

Com a abertura do arranjo, vales-refeição e alimentação passam a ser aceitos em qualquer máquina de estabelecimentos cadastrados — padarias, restaurantes, mercados. A mudança tira poder de barganha dos incumbentes e abre espaço para quem tem tecnologia e capilaridade.

“A mudança na regulamentação é um pano de fundo interessante, mas a motivação aqui é construir o maior valor possível para os dois lados que a gente atende”, afirma Eduardo Del Giglio, CEO da Caju. Ele cita sinergias concretas: a Caju tem produto de despesas corporativas; o iFood tem o Despegar, parceria com a Decolar para viagens corporativas.

De onde vem o dinheiro e para onde vai

A aquisição é a maior já feita pelo iFood Benefícios, fundado em 2020. O montante faz parte do plano da controladora Prosus de investir R$ 24 bilhões no Brasil. O iFood sondou outras empresas do segmento antes de fechar com a Caju.

Ainda não há definição sobre o futuro da marca Caju. A integração das equipes — 700 pessoas só do lado da Caju — será um dos testes de execução mais observados pelo mercado.

O que observar daqui para frente

A aprovação regulatória é o primeiro gatilho. Banco Central e Cade vão avaliar concentração de mercado e eventuais riscos competitivos. Paralelamente, três frentes definem se a tese se sustenta:

  • Retenção de clientes corporativos durante a migração de sistemas
  • Capacidade de cross-sell entre benefícios, despesas corporativas e viagens
  • Reação das três líderes — Alelo, Edenred e Pluxee — que ainda detêm 3x a base de usuários

Para RHs e gestores financeiros, a mensagem prática é clara: a concentração aumenta o poder de negociação de quem compra, mas reduz opções de fornecedores. Vale mapear contratos atuais e prazos de fidelidade antes que a nova estrutura tarifária se consolide.