O segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), funcionará como o gatilho decisivo para tirar o Ibovespa da lateralização atual. A direção do movimento — se rumo aos 230 mil pontos ou para uma correção profunda — depende exclusivamente da composição das urnas e da reação imediata do capital estrangeiro.
Na semana passada, o índice recuou 1,74%, interrompendo dois ciclos de forte alta, mas fechou aos 205.430 pontos ainda acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. A estrutura principal segue altista, embora o IFR (14) em 69,86 pontos acenda um alerta de sobrecompra no curtíssimo prazo.
Os níveis que separam a euforia do pânico
Para que a alta retome fôlego consistente, o mercado precisa romper a máxima histórica de 209.713 pontos. Superada essa barreira, os alvos técnicos se sucedem em degraus:
- Primeiro objetivo: 215.130 pontos
- Segundo objetivo: 221.450 pontos
- Alvo estendido: Região dos 230.000 pontos
Do lado vendedor, a quebra do suporte imediato em 203.980 pontos abre caminho para uma correção em cascata. A perda da antiga máxima (199.354) projetaria o índice para baixas sucessivas até a faixa dos 164.835 pontos — um cenário de desmonte técnico significativo.
Dólar tenta respirar, mas estrutura segue frágil
O contrato futuro avançou 1,35% na semana, aos 5.080,5 pontos, recuperando parte da queda anterior. Contudo, a moeda americana permanece abaixo de todas as médias móveis relevantes e do IFR neutro (45,67), o que mantém o viés de baixa no radar.
O suporte psicológico dos 5.000 pontos segue como linha de defesa crucial. Se perdido, o caminho fica livre para testes em 4.910 e, posteriormente, 4.798 pontos. Para inverter a mão, o dólar precisa vencer a resistência em 5.166 pontos com volume.
O contágio externo que pesa no Brasil
Não é só a política local que dita o ritmo. Nasdaq e S&P 500 fecharam a semana com quedas de 2,14% e 2,02%, respectivamente, ambos rompendo médias móveis de curto prazo para baixo. Esse movimento aumenta a aversão a risco global e reduz o apetite por ativos de países emergentes, pressionando o real e a bolsa simultaneamente.
Bitcoin: a linha dos US$ 80 mil define o jogo
A criptomoeda perdeu as médias de 9 e 21 períodos (próximas a US$ 83,3 mil e US$ 82 mil) e agora testa a região crítica de US$ 80 mil. A perda desse patamar acelera a correção com alvos em US$ 74,9 mil, US$ 67,2 mil e, no limite, a mínima do ano em US$ 57,8 mil.
Por outro lado, a retomada das médias e a superação de US$ 87,3 mil abrem espaço para uma disparada rumo a US$ 116,4 mil. O ativo funciona, hoje, como termômetro preciso do apetite por risco global.
O que observar daqui para frente
A semana começa com a bolsa em “modo espera”. O investidor deve monitorar dois termômetros simultâneos: a evolução das pesquisas eleitorais de véspera e o comportamento do dólar futuro nas primeiras horas de segunda-feira. A combinação de Ibovespa sobrecomprado (IFR perto de 70) com exterior vendendo cria uma assimetria de risco: a surpresa positiva tem caminho livre até 230 mil, mas a negativa encontra pouco suporte técnico até 190 mil. A definição do cenário fiscal pós-eleição será o divisor de águas para sustentar qualquer rali duradouro.
