Economia

Ibovespa dispara 15% antes do voto: o que o mercado espera do próximo presidente

Gráfico do Ibovespa mostra alta de 15% antes do primeiro turno das eleições 2022
Ibovespa acumula ganhos de 15,2% durante campanha eleitoral impulsionado por apostas em ajuste fiscal

O Ibovespa subiu 15,2% desde o início da campanha até a véspera do primeiro turno — um rali movido não por otimismo genérico, mas pela aposta de que o próximo ocupante do Planalto será forçado a cortar gastos. A pergunta que fica: esse ajuste virá por convicção ou por falta de alternativa?

Especialistas ouvidos pelo setor financeiro apontam que a taxa Selic, mesmo após cortes recentes, permanece elevada porque a política de expansão de despesas continua pressionando a inflação. Se o freio fiscal acontecer, os juros têm espaço para cair mais — e esse é o combustível real para a bolsa.

O candidato do “corte” e o risco da instabilidade

O mercado associa uma agenda de contenção de despesas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro e fundador da Oriz Partners, se ele aparecer à frente nas urnas na segunda-feira pós-primeiro turno, a reação imediata deve ser de alta.

Mas há um entrave. O mesmo grupo político viu sua credibilidade arranhada por embates com instituições — e estabilidade política vale tanto quanto ajuste fiscal na hora de alocar capital. O investidor não perdoa ruído institucional.

Ideologia não paga conta: os números que assustam os dois lados

Alex Lima, da DA Economics, resume o cenário que aguarda o vencedor, seja de direita ou de esquerda:

  • 92% do Orçamento já estão carimbados em despesas obrigatórias;
  • Estoque de dívida pública em patamar elevado;
  • Margem de manobra próxima de zero sem reformas estruturais.

Kawall traça um paralelo com os EUA: Donald Trump, ícone da direita, pratica populismo fiscal e viu os juros americanos subirem a níveis históricos. Ou seja, rótulo partidário não garante responsabilidade nas contas.

O que mais tira o sono do investidor

A pauta não para no fiscal. Três frentes externas e internas disputam a atenção:

  • Conflito no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo;
  • Guerra comercial liderada por Trump, com reflexos nas commodities brasileiras;
  • Andamento das privatizações e da reforma tributária no Congresso.

“A geopolítica virou macroeconomia”, resume Alex Lima. O dia seguinte à eleição será lido não apenas pelo nome que vai ao segundo turno, mas pela margem de votos e pela composição do Senado — variáveis que determinam a governabilidade real.

O que observar daqui para frente

Qualquer reação de segunda-feira será de curto prazo. O teste verdadeiro começa quando as promessas de campanha precisarem virar medidas concretas: corte de subsídios, revisão de benefícios, avanço na agenda de privatizações e regulamentação da reforma tributária. O mercado já precificou a esperança; agora vai cobrar a execução.