Lucas Tylty tem um plano que soa como ficção: adquirir o Chelsea Football Club nos próximos 26 anos. O empreendedor brasileiro, à frente de um grupo com 11 empresas e mais de 150 colaboradores, traçou uma rota que exige multiplicar patrimônio e influência em escala global.
A meta não é um devaneio de torcedor. Tylty e seu sócio, Rafael Gomes — conhecido como Rafuxo —, construíram o Grupo OTG como um ecossistema que fatura alto com educação, mídia, tecnologia e apostas esportivas. O clube londrino, avaliado hoje entre 2,5 e 3 bilhões de libras, é a linha de chegada.
De conteúdo esportivo a império de 11 marcas
A origem do grupo está na criação de conteúdo sobre apostas e análises esportivas. O que começou como canal no YouTube e comunidade no Discord virou máquina de aquisição de clientes para produtos próprios. Hoje, o portfólio inclui:
- Plataforma de educação financeira e esportiva
- Agência de marketing de influência
- Produtos de software e automação
- Veículos de mídia própria
A diversificação reduziu a dependência de um único canal de receita. Cada empresa alimenta as outras: a mídia atrai audiência, a educação converte, a tecnologia escala.
O cálculo por trás do sonho
Comprar um gigante da Premier League exige mais que dinheiro — demanda estrutura de governança, compliance internacional e lastro financeiro que satisfaça a Premier League e a UEFA. Tylty sabe disso. A projeção para 2050 considera:
- Crescimento composto do valuation do Chelsea (histórico: +8% ao ano nas últimas duas décadas)
- Expansão do Grupo OTG para mercados europeu e norte-americano
- Possíveis saídas parciais (M&A, IPO) para gerar liquidez
O empresário evita divulgar números atuais de faturamento ou valuation do grupo. Fontes próximas indicam receita na casa de nove dígitos anuais, com margem acima da média do setor de infoprodutos.
Por que o Chelsea — e não outro clube
A escolha não foi aleatória. O Chelsea tem:
- Marca global consolidada pós-2003 (era Abramovich)
- Estádio próprio em Londres (Stamford Bridge) — ativo imobiliário raro
- Academia de base que gera ativos vendíveis (Mount, Gallagher, Chalobah)
- Torcida jovem e digital — alinhada ao DNA de mídia do OTG
Além disso, a propriedade atual (consórcio Boehly-Clearlake) já sinalizou abertura a novos investidores minoritários. Uma porta de entrada futura não está descartada.
Os obstáculos reais até 2050
O caminho tem variáveis fora do controle do empreendedor. Regulamentação de apostas no Brasil e no Reino Unido pode alterar receitas. A própria Premier League endureceu regras de Owners’ and Directors’ Test após casos recentes. E o valuation do clube pode disparar além da capacidade de acompanhamento.
Mas o maior risco é sucessório. Tylty tem 30 anos. Em 2050, terá 56. Manter foco executivo por quase três décadas, sem diluir o controle do grupo, exige governança que o OTG ainda está construindo.
O que observar daqui para frente
Três sinais indicarão se a trajetória segue viável: entrada do grupo em ativos esportivos menores (clubes de divisões de acesso ou ligas emergentes), parcerias comerciais com entidades europeias e, principalmente, a capacidade de manter taxa de crescimento de dois dígitos nas receitas do ecossistema OTG nos próximos 5 anos. Se o grupo virar “holding de mídia e esportes” com operação internacional consolidada, a meta deixa de ser manchete e vira plano de negócios.
