Uma hóspede alugou uma casa no Airbnb por uma única diária e, em poucas horas, esvaziou o imóvel levando geladeira, TV, camas e até máquina lava e seca. O prejuízo estimado pelo proprietário chega a R$ 17 mil, mas os itens foram recuperados graças a uma postagem em rede social.
O caso ocorreu em Balneário Rincão, no litoral sul de Santa Catarina, e expõe uma vulnerabilidade que vai além de uma simples reserva de curta duração.
Como a ação foi planejada e executada
A reserva foi feita para a manhã de quarta-feira (23) por uma mulher que se identificou como enfermeira de hospital da região. No dia seguinte, ela perguntou até que hora poderia permanecer no local. O proprietário confirmou o checkout padrão: 13h. Ela respondeu que sairia ao meio-dia.
Após o horário combinado, o dono foi até a propriedade para organizar a casa. Ao chegar, mandou mensagem para confirmar a saída, mas não obteve resposta. Decidiu entrar pelo portão e, pela janela, viu o imóvel completamente vazio.
Foram levados:
- Duas camas box
- Quatro mesas de cabeceira
- Um sofá
- Três banquetas
- Um balcão de banheiro
- Uma televisão de 32 polegadas
- Uma máquina lava e seca
- Uma geladeira
O golpe da “nova proprietária” para não levantar suspeitas
Para retirar móveis de grande porte sem chamar atenção, a investigada usou um caminhão de mudanças e disse aos vizinhos que havia comprado o imóvel e era a nova dona. A estratégia funcionou: ninguém desconfiou da movimentação atípica para uma estadia de uma noite.
O proprietário, desconfiado, buscou informações na vizinhança e conseguiu a foto do veículo usado no transporte. O rastro levou até uma loja de móveis usados, de propriedade de um parente do dono do caminhão.
Recuperação e desdobramentos legais
O dono reconheceu os itens em uma postagem nas redes sociais do estabelecimento. No dia seguinte, foi à delegacia relatar a descoberta e, com orientação policial, confirmou a presença dos móveis no local. Uma viatura estava estacionada em frente à loja; ele pediu apoio aos agentes, que auxiliaram na recuperação.
O comprador foi autuado por receptação culposa — quando não há intenção de adquirir produto de crime. A suspeita não foi localizada até o momento. Segundo investigadores, ela também é investigada por aplicar golpes contra outras pessoas, incluindo familiares.
O que o Airbnb diz e o que cobre a proteção ao anfitrião
A plataforma informou que suspendeu a conta da hóspede enquanto apura o caso. Toda reserva conta com a Proteção contra Danos ao Anfitrião, que cobre prejuízos de até 3 milhões de dólares nos raros casos de danos ou furtos durante a estadia. A empresa também mantém equipe dedicada ao atendimento de autoridades públicas para apoiar investigações.
No entanto, a cobertura não é automática nem imediata: exige registro de boletim de ocorrência, comprovação de propriedade e avaliação caso a caso.
O que observar daqui para frente
Para anfitriões, o caso reforça a importância de: exigir verificação de identidade completa (não apenas e-mail ou telefone), usar contratos de locação por temporada com cláusulas de responsabilidade civil, instalar câmeras em áreas externas (respeitando a legislação de privacidade) e documentar o inventário do imóvel com fotos e vídeos datados antes de cada check-in.
Para investidores em imóveis de curta duração, fica o alerta: a rentabilidade alta do modelo traz riscos operacionais que não existem na locação tradicional. Seguros específicos para short-term rental e gestão profissional de check-in/check-out deixam de ser “opcionais” e passam a ser itens de proteção patrimonial.
A investigação segue em andamento. A suspeita continua foragida.
