Cultura

Bortoleto ignora haters, sonha com F1 e acorda 4h da madrugada para testar no simulador

Gabriel Bortoleto no cockpit da Audi F1 em Interlagos, focado no simulador às 4h da manhã
Bortoleto ignora críticas e treina no simulador de madrugada para o GP de São Paulo

Gabriel Bortoleto largará em 19º no GP de São Paulo após quebrar a asa traseira no Q1, mas o piloto da Audi aos 22 anos não perde sono com críticas — perde sono com ideias de ultrapassagem. A resposta dele para os haters e a rotina noturna no simulador revelam como um novato constrói campeão.

O fim de semana em Interlagos começou torto. Uma peça danificada, tempo de box perdido, último tempo na folha de tempos. Nas redes, o julgamento foi imediato. Bortoleto admite: vê os comentários. Mas a reação surpreende.

Por que ele sente “dó” de quem critica

“Fico imaginando: eu com 22 anos, viajando o mundo, competindo na maior categoria, ganhei tudo para estar aqui, projeto incrível… e a pessoa gasta energia tentando me colocar para baixo.”

Ele divide o público em dois: quem apoia na construção e quem só aparece no sucesso. “Quem estiver do lado agora, quando vierem vitórias e títulos, vai ter feito parte da caminhada. O outro fica amargo.”

A filosofia é simples: a vida segue, o contrato segue, o trabalho segue. Opinião alheia não muda a telemetria.

O que acontece na cabeça de um piloto às 3h da manhã

Bortoleto sonha com corridas. Largadas, ultrapassagens, o cheiro de borracha quente. “Quando começa a largar, eu tento acordar: ‘não, não, não’.”

Mas o pesadelo vira ferramenta. Acorda 3h, 4h da madrugada com uma ideia — uma linha diferente, um ponto de freada. Não volta a dormir. Liga o simulador caseiro e testa.

“Não consigo voltar a dormir. Vou fazer o quê? Ficar no celular? Faço algo útil e me divirto.”

  • Rotina noturna: acorda entre 3h-4h com insights de pista
  • Ferramenta: simulador doméstico para validar ideias
  • Gatilho: sonhos recorrentes com largadas e ultrapassagens
  • Resultado: ajustes levados para briefing de engenharia

Essa obsessão silenciosa explica por que a equipe vê nele um líder técnico, não apenas um piloto rápido.

Kimi, Hadjar, Bearman, Colapinto: a turma de 2024 e o peso da comparação

Todos correram juntos na F2. Antonelli já venceu na F1. Hadjar pontua. Bearman substituiu Sainz na Ferrari. Colapinto impressionou na Williams. Bortoleto? Ainda busca o primeiro ponto com a Audi.

“Não gosto de criar realidade que não vivi. ‘Ah, se eu tivesse carro melhor?’ Não. O que vivo agora é isso.”

A conversa com Mattia Binotto, chefe da Audi, gira em outro eixo: legado. “Estou criando um projeto a longo prazo. No futuro, vou poder dizer: ‘entrei quando éramos últimos e agora lutamos por títulos’.”

Ele cita a F3 e a F2: equipes que nunca tinham sido campeãs. O carinho dos engenheiros e mecânicos por ser o primeiro campeão da história deles. “Quero repetir isso na Audi.”

O título de F2 vale mais porque Kimi era oponente

Quando perguntado se o sucesso de Antonelli valoriza seu campeonato na F2, a resposta é direta: “Com certeza. O campeão mundial de F1 competiu no meu ano contra mim. Hadjar, Bearman, Colapinto também. Isso valoriza muito.”

Não é vaidade. É métrica. A profundidade do grid de 2024 na F2 era histórica — e ele venceu.

Onde ele se vê em cinco anos: a resposta que não admite plano B

“Campeão do mundo. Liderando o projeto da Audi de forma ainda mais forte do que já faço agora.”

Sem hesitação. Sem “espero que” ou “se der certo”. A meta está posta. O caminho, ele constrói madrugada adentro, volta a volta, simulação a simulação.

O que observar nas próximas etapas

A Audi traz atualizações de piso e asa dianteira para Las Vegas e Catar. Bortoleto já testou ambas no simulador da fábrica em Neuburg — incluindo as ideias que surgiram às 3h da manhã. Se a correlação entre simulação e pista confirmar o ganho de downforce estimado em 1,2%, o 19º lugar de Interlagos vira anedota, não tendência. Acompanhe os treinos livres de quinta: o primeiro stint longo dele dirá se a madrugada valeu a pena.