Internacional

O homem por trás do muro assume a Casa Branca: o que muda agora

Stephen Miller, novo chefe de gabinete da Casa Branca, em retrato oficial
Stephen Miller assume como chefe de gabinete da Casa Branca, sinalizando guinada radical na política imigratória dos EUA.

Stephen Miller, arquiteto das políticas de imigração mais controversas do primeiro mandato de Donald Trump, foi nomeado chefe de gabinete da Casa Branca nesta sexta-feira (6). A escolha sinaliza uma guinada radical na máquina administrativa dos EUA. O advogado de 41 anos carrega no currículo a criação do veto a muçulmanos, a separação de famílias na fronteira e o projeto do muro com o México.

Mas a nomeação vai além de simbolismo. Miller passa a controlar a agenda política da presidência com poder para transformar promessas de campanha em ordens executivas imediatas. A pergunta que fica é: até onde chega a influência dele sobre a burocracia federal?

O legado da “tolerância zero” volta ao centro do poder

Durante o primeiro governo, Miller foi a força invisível por trás das medidas mais duras. Ele redigiu o decreto que barrou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana logo na primeira semana de mandato. Meses depois, estruturou a política de “tolerância zero” que resultou na separação de milhares de crianças de seus pais na fronteira sul.

Relatórios da ONU e de ONGs internacionais classificaram a prática como violação de direitos humanos. Centenas de famílias permaneciam sem reunificação anos após o fim oficial da medida. Agora, o autor dessas estratégias não apenas assessora o presidente: ele gerencia o fluxo de decisões que chegam à mesa do Salão Oval.

O plano para a maior deportação da história

Nos últimos dois anos, enquanto esteve fora do governo, Miller dedicou-se exclusivamente a desenhar a engenharia jurídica e logística para uma operação de deportação em massa sem precedentes. Não se trata de retórica de palanque: ele mapeou agências, brechas legais e recursos orçamentários para tornar o plano viável no “Dia Um”.

Com a caneta na mão como chefe de gabinete, a execução desse roteiro deixa de ser hipótese para virar cronograma. Especialistas em direito imigratório alertam para confrontos imediatos com tribunais federais e governos estaduais que prometem resistir.

  • Muro na fronteira: Obra inacabada que consumiu bilhões e virou símbolo da gestão anterior.
  • Veto a muçulmanos: Bloqueio de entrada por nacionalidade, derrubado e reescrito múltiplas vezes na justiça.
  • Separação de famílias: Marco zero da política de tolerância zero em 2018, com danos humanitários documentados.
  • Deportação em massa: Projeto atual, detalhado tecnicamente para início imediato.

Da carta aos 16 anos ao comando da máquina federal

A trajetória de Miller não começou na Casa Branca. Nascido em Santa Monica, Califórnia, em 1985, ele cresceu em família judia e formou-se em Ciências Políticas na Universidade Duke. Aos 16 anos, já publicava cartas em jornais locais criticando o que via como falta de patriotismo nas escolas e defendendo que estudantes latinos falassem apenas inglês.

Na universidade, liderou grupos conservadores contra políticas de ação afirmativa e diversidade. O salto para o poder veio ao lado do então senador Jeff Sessions, do Alabama, ícone da ala anti-imigração do Partido Republicano. Foi no gabinete de Sessions que Miller lapidou a retórica e a técnica legislativa que depois aplicaria na presidência.

O que observar daqui para frente

A nomeação consolida a ala mais ideológica no comando da execução governamental. Diferente de chefes de gabinete anteriores — muitas vezes gestores ou negociadores —, Miller é um operador de transformação estrutural. Espera-se uso intensivo de ordens executivas, pressão sobre agências como ICE e CBP, e embates diretos com o Judiciário e o Congresso.

Para empresários, investidores e profissionais que lidam com mão de obra estrangeira, cadeias de suprimento transfronteiriças ou compliance regulatório, o sinal é claro: a volatilidade nas regras de imigração e fiscalização de fronteiras deve escalar nas próximas semanas. Acompanhar as primeiras diretrizes internas que saírem do West Wing será essencial para antecipar riscos operacionais e jurídicos.