Economia

Canetas emagrecedoras disparam 99% e puxam boom oculto de vitaminas…

Canetas GLP-1 e frascos de vitaminas sobre balcão de farmácia, representando boom de suplementos
Mercado de canetas emagrecedoras GLP-1 impulsiona alta de 65% no consumo de vitaminas no Brasil

O mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 praticamente dobrou de tamanho em um ano, arrastando junto uma categoria que poucos esperavam: a de vitaminas e suplementos. Enquanto as canetas emagrecedoras somaram R$ 8,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, o consumo de nutrientes por quem usa esses remédios subiu dois dígitos. O fenômeno redesenha prateleiras e estratégias de varejo.

O número que explica a virada de chave

Dados da Impulso mostram que pacientes em tratamento com GLP-1 elevaram em 65% os gastos com vitaminas e em 60% os investimentos em suplementos alimentares. Em volume, a Farma Conde registra alta de 70% na saída de suplementos e 20% na de vitaminas só nesse público. Não é coincidência: a redução drástica do apetite imposta pelos medicamentos obriga quem emagrece a suplementar para não perder massa muscular junto com a gordura.

Por que o consumidor mudou o carrinho de compras

A lógica é direta: menos comida no prato significa menos nutrientes ingeridos. Whey protein, creatina, multivitamínicos e minerais isolados deixaram de ser “extras” de academia e viraram itens de necessidade básica para quem está na caneta. O varejo que entendeu isso primeiro saiu na frente — e quem não entendeu está vendo a margem escapar pelo ralo.

  • Whey protein: +20% no faturamento (IQVIA)
  • Monovitaminas e minerais: +18%
  • Vitaminas, minerais e suplementos (categoria geral): +9%

A aposta da Farma Conde na marca própria

Para capturar essa demanda sem repassar custo de marca ao consumidor, a rede firmou parceria com o laboratório MCG, de São José dos Campos (SP). A indústria desenvolve linhas como Vitacon, Vitamin Power e a creatina Supripower sob etiqueta da farmácia. Resultado: preço até 30% menor que líderes de mercado, com a mesma exigência de qualidade e registro na Anvisa.

“Cuidar da saúde não pode ser privilégio. Quando produzimos junto à indústria, tiramos intermediários e o bolso do cliente sente a diferença”, resume a farmacêutica e fundadora Cláudia Conde.

O que os números da IQVIA revelam sobre 2026

O salto de R$ 4,3 bi para R$ 8,5 bi no mercado de GLP-1 (alta de 99,4% no semestre) sinaliza que a curva ainda aponta para cima. A cada nova indicação aprovada — e a cada lançamento como Mounjaro —, a base de usuários se alarga. Isso significa mais gente precisando de orientação nutricional, mais receitas na mão do farmacêutico e mais espaço para quem tem sortimento completo e preço competitivo.

O alerta que todo profissional reforça

Automedicação de suplemento também faz mal. Excesso de vitamina D, ferro ou zinco pode ser tóxico; whey sem treino vira gordura; creatina sem hidratação sobrecarrega rins. A presença do farmacêutico no balcão deixa de ser diferencial e vira exigência regulatória e de segurança. Redes que investem em atendimento clínico, não só em gôndola, fidelizam o paciente que volta todo mês.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o ritmo: ampliação de indicações dos GLP-1 (obesidade infantil, apneia, esteatose), entrada de genéricos/biossimilares derrubando preço da caneta e regulação da venda de suplementos em não-farmácias. Quem monitorar esses vetores e ajustar mix, precificação e capacitação de equipe hoje vai colher a fatia maior de um mercado que ainda está na fase de aceleração, não de maturidade.