Economia

Brasil define 27 minerais estratégicos: R$ 7 bi em jogo para sair da exportação bruta

Mapa do Brasil destacando 27 minerais estratégicos com ícones de processamento industrial e investimento de R$ 7 bi
Governo define 27 minerais prioritários para processamento nacional com R$ 7 bilhões em incentivos.

O governo federal aprovou nesta quinta-feira (5) a lista oficial de 27 minerais que receberão prioridade em investimentos públicos, abrindo caminho para até R$ 7 bilhões em incentivos ao processamento nacional. A decisão marca a primeira aplicação prática da Política Nacional de Minerais Críticos, sancionada em setembro.

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos organizou os recursos em três níveis de urgência, usando critérios como risco geopolítico, concentração de oferta global e a posição atual do Brasil nas cadeias produtivas. O objetivo declarado: transformar o país de exportador de matéria-prima em fabricante de componentes de alto valor agregado.

Os nove minerais que lideram a fila de recursos

No topo da prioridade alta estão os insumos indispensáveis para baterias de veículos elétricos, ímãs permanentes e sistemas de armazenamento de energia — mercados em expansão acelerada. A lista inclui:

  • Terras raras — base para ímãs de alta performance
  • Grafita — Brasil detém a 2ª maior reserva mundial
  • Lítio — componente central das baterias modernas
  • Níquel — 3ª maior reserva global está em solo brasileiro
  • Cobalto, Cobre, Manganês (4ª maior reserva), Silício e Urânio completam o grupo prioritário

Esses nove minerais concentrarão a fatia mais expressiva dos incentivos, incluindo linhas de crédito do BNDES e benefícios fiscais para projetos de beneficiamento e transformação industrial.

O que muda para quem já opera no setor

Empresas com projetos de extração em andamento ganham previsibilidade: a classificação sinaliza quais cadeias terão suporte estatal contínuo. Para novos entrantes, a lista funciona como bússola — indica onde o risco regulatório é menor e o acesso a capital público mais provável.

O ministro Márcio Elias Rosa resumiu a estratégia: “Por muito tempo exportamos riqueza em estado bruto e importamos o produto pronto. Queremos romper esse ciclo.” A fala reflete o diagnóstico de que o Brasil perde valor ao não processar internamente o que extrai.

Prioridades média e baixa: o que fica no radar

O segundo escalão reúne oito minerais — tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. São insumos industriais consolidados, com demanda estável, mas sem o mesmo apelo geopolítico do grupo principal.

Na prioridade baixa aparecem dez nomes, incluindo nióbio (onde o Brasil já domina 90% da oferta mundial), estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e o grupo da platina. A inclusão deles mantém a porta aberta para revisão futura, caso critérios como substituibilidade ou dependência externa se alterem.

Parcerias internacionais no centro da execução

O presidente Lula reforçou na reunião que o Estado não pretende ser o único agente da transformação. A defesa de parcerias com países que queiram participar da industrialização sinaliza abertura para joint ventures, transferência de tecnologia e acordos de offtake — contratos de compra futura que viabilizam financiamento de plantas industriais.

Essa abordagem difere de modelos anteriores de reserva de mercado. O governo aposta que a combinação de incentivos domésticos com capital e know-how externo acelera a curva de aprendizado tecnológico.

O que observar nos próximos meses

A lista não é definitiva — o conselho pode incluir novos minerais se os cinco critérios técnicos justificarem. Dois movimentos merecem atenção: a publicação dos editais e regras operacionais para acesso aos R$ 7 bilhões, previstos para o primeiro trimestre de 2027, e a reação de grandes consumidores globais (China, EUA, União Europeia) à estratégia brasileira de verticalização. Quem antecipar a leitura desses sinais ganha janela de negociação em projetos de grande escala.