Economia

Lucro da dona da British Airways despenca 12%: o que está por trás do tombo

Avião British Airways pousando com gráfico de queda de lucro IAG 12% combustível caro
British Airways enfrenta queda de 12% no lucro da IAG apesar de receita recorde de €9,74 bi

A IAG, gigante que controla British Airways, Iberia, Aer Lingus e Vueling, viu seu lucro líquido cair 12,1% no terceiro trimestre. O resultado de 1,23 bilhão de euros esconde uma pressão silenciosa que atinge toda a aviação global.

A receita subiu 4,5% e bateu 9,74 bilhões de euros. Ainda assim, o lucro encolheu. A contradição revela o tamanho do desafio: custos fora de controle.

O vilão invisível: combustível 30% mais caro

O querosene de aviação disparou mais de 30% entre julho e setembro. Esse salto anulou ganhos de tarifa e ocupação. Para cada assento voado, a margem encolheu.

Luis Gallego, CEO do grupo, chamou o trimestre de “resiliente”. A palavra soa como eufemismo quando o lucro cai um bilhão de reais em um ano.

Conflito no Oriente Médio fecha rotas e eleva custos

Além do preço do combustível, a guerra na região forçou desvios de rotas e cancelamentos. Voos mais longos queimam mais combustível. Menos frequências reduzem receita.

O impacto operacional não aparece isolado nos balanços. Mas está na diferença entre receita crescente e lucro minguante.

O que os números mostram — e o que omitem

  • Lucro líquido: 1,23 bi € (vs 1,40 bi € em 2023)
  • Receita: 9,74 bi € (+4,5% a/a)
  • Combustível: +30% no trimestre
  • Marcas afetadas: BA, Iberia, Aer Lingus, Vueling

A alta de receita prova que a demanda segue forte. Passageiros pagam mais. Mas a conta não fecha para o acionista.

Cenários para os próximos trimestres

Três variáveis ditam o rumo: preço do barril, estabilidade no Oriente Médio e capacidade de repasse nas tarifas. Se o petróleo recuar, a margem volta. Se o conflito escalar, desvios viram rotina.

Gallego aposta em eficiência operacional e frota mais nova. O A320neo e o A350 consomem menos. Mas a renovação leva anos.

O que observar daqui pra frente

Fique atento às guidance de capacidade para o inverno europeu. É a temporada fraca. Se a IAG mantiver ocupação alta com tarifas firmes, o pior pode ter passado. Caso contrário, o quarto trimestre repetirá a dor do terceiro. O mercado já precificou pessimismo — qualquer surpresa positiva move a ação.