A baixa popularidade de Donald Trump tornou-se a variável central nas estratégias de ambos os partidos para as eleições de meio de mandato. O que antes parecia improvável — um senador democrata no Texas — agora aparece nas pesquisas como cenário real.
Se o maior reduto republicano do país mudar de lado, o efeito cascata pode redefinir o Congresso. A pergunta que fica: até onde o desgaste da Casa Branca consegue arrastar candidatos que tentam se descolar do presidente?
O laboratório texano: Talarico e a equação dos 99%
James Talarico, 37 anos, ex-professor e ex-seminarista presbiteriano, lidera as intenções de voto para o Senado. Sua plataforma ignora a retórica anti-imigração e mira no 1% mais rico. O discurso ressoou entre jovens, latinos e até eleitores de Trump arrependidos.
Dylan, corretor de imóveis em Austin, votou no republicano em 2024. Hoje diz que não repetiria a dose. “A conta não fecha”, resume. O Texas, nona economia mundial se fosse país, concentra agricultura, tecnologia, petróleo e o segundo maior colégio eleitoral dos EUA. Há 36 anos não elege um democrata para o Senado.
Republicanos em fuga: a estratégia do “eu não sou ele”
Enquanto democratas colam adversários a Trump, republicanos tentam criar distância. Três movimentos chamam atenção:
- Susan Collins (Maine): três décadas no Senado, 95% de alinhamento com a Casa Branca em 2025, mas campanha baseada em “independência”.
- Ashley Hinson (Iowa): inverteu posição e passou a criticar a guerra no Irã.
- María Elvira Salazar (Flórida): declarou que a política de imigração “foi longe demais” e alertou: hispânicos que ajudaram a eleger Trump sentem-se traídos.
A pesca no Maine, afetada por tarifas e tensão no Irã, expõe a fragilidade econômica do discurso oficial. O eleitor costeiro não compra mais o isolamento como proteção.
O tabuleiro jurídico: 20 mil votos e a sombra de 2020
Na segunda-feira (2), o governo protocolou na Suprema Corte pedido para anular 20 mil votos na Califórnia. A corte rejeitou na mesma noite. O movimento sinaliza: contestações judiciais devem se repetir se o resultado for adverso.
Não é apenas precaução. É ensaio. A estrutura de questionamento de resultados já está montada e testada. O meio de mandato serve como termômetro para 2028.
O que observar nas próximas semanas
Três indicadores dirão se a onda democrata vira tsunami ou marola:
- Comparecimento de latinos no Texas — grupo que decide margens apertadas.
- Desempenho de republicanos “descolados” em estados industriais e costeiros.
- Novos pedidos judiciais para invalidação de votos em estados-pêndulo.
O meio de mandato não elege presidente. Mas define quem legisla nos dois anos finais do mandato atual. E, pela primeira vez em décadas, o Texas deixou de ser garantia. Virou aposta.
