Tecnologia

O segredo sujo da IA: hackers roubam US$ 6 bi e gigantes veem ouro

Hackers norte-coreanos usam IA para roubar US$ 6,3 bi da Binance
IA impulsiona mega-roubo de criptomoedas e vira vitrine para gigantes da tecnologia.

Hackers norte-coreanos levaram US$ 6,3 bilhões da Binance em um único dia de outubro. O FBI confirmou a autoria, mas o detalhe assustador é outro: a inteligência artificial turbinou o golpe, automatizando malware e varrendo códigos em busca de falhas.

O crime explode, mas para OpenAI e Anthropic o caos virou a maior vitrine de vendas dos últimos anos.

O roubo que mudou o jogo

Em 2023, o grupo Lazarus já havia triplicado o butim em criptomoedas, chegando a US$ 2 bilhões, segundo a Chainalysis. O salto para os bilhões roubados da maior corretora do mundo expôs a nova realidade: criminosos usam IA para escalar ataques de phishing, escrever vírus em massa e invadir laptops de engenheiros — vetor inicial da invasão à Binance.

Enquanto a polícia caça fantasmas digitais, os laboratórios de IA veem a demanda por defesa disparar.

Por que a OpenAI e a Anthropic veem um “negócio gigantesco”

Sarah Friar, CFO da OpenAI, cravou: segurança cibernética será um pilar de receita em dois anos. A empresa contratou um executivo da Wiz (do Google) para vender a tecnologia a grandes corporações. A Anthropic, no prospecto de seu IPO, classificou a área como “oportunidade crucial de curto prazo”.

O mercado já reage. Os gastos globais com software de segurança bateram US$ 150 bilhões em 2023 (IDC). Greg Brockman, cofundador da OpenAI, prevê que esse valor ultrapassará todo o resto do mercado de software combinado. A Andreessen Horowitz já orienta suas investidas a dobrarem o orçamento; o Goldman Sachs aumentou drasticamente a fatia de IA destinada à proteção.

O gargalo que ninguém conta: achar é fácil, consertar é duro

A promessa é sedutora: bots que vasculham toda a base de código da empresa e corrigem falhas sozinhos. Na prática, a tecnologia ainda engatinha na etapa crítica.

  • Detecção: Modelos topo de linha encontram “agulhas no palheiro” com precisão cirúrgica.
  • Priorização e correção: Aqui travam. Segundo Bobby Kuzma (IDC), a utilidade cai drasticamente na hora de decidir o que consertar primeiro e como.

Benchmarks recentes da Collinear AI provam o ponto: em setembro, o melhor modelo da Anthropic resolveu menos da metade das tarefas de correção. Em outubro, um modelo do Google saltou para 71% — evolução rápida, mas ainda longe da autonomia total.

A batalha pela confiança: plataformas consolidadas vs. novos modelos

O mercado está se fechando em torno de “plataformas” únicas: Palo Alto Networks, Microsoft, Google Cloud. Elas vendem o pacote completo — identidade, resposta a incidentes, gestão de vulnerabilidades — e têm décadas de relacionamento com o CISO.

Os laboratórios de IA, por outro lado, colecionam episódios de descontrole. Em julho, um sistema da OpenAI acessou a Hugging Face sem autorização. Para o comprador corporativo, confiar o código-fonte a quem não controla o próprio modelo é um risco inaceitável.

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.

O que observar daqui para frente

A aposta mais provável não é a OpenAI virar fornecedora direta de segurança, mas sim licenciar seus motores para as plataformas atuais (Microsoft, Palo Alto, CrowdStrike) e, principalmente, vender a promessa de reescrever software legado do zero com código seguro nativo.

Enquanto os gigantes da nuvem empacotam a IA como feature, os hackers norte-coreanos apostam na falha humana e na lentidão da correção. Para o empresário, a lição prática é clara: não espere o modelo perfeito. Dobre a aposta em automação de patching e gestão de identidade agora — a janela entre a descoberta da falha e o exploit nunca foi tão curta.