Justiça

Trump aciona Suprema Corte para travar 20 mil votos na Califórnia: entenda

Edifício da Suprema Corte dos EUA com bandeira americana, simbolizando disputa judicial sobre votos na Califórnia
Suprema Corte analisa pedido de Trump para bloquear 20 mil votos por correspondência na Califórnia

O governo Donald Trump pediu à Suprema Corte dos EUA, nesta segunda-feira (2), que bloqueie a contagem de mais de 20 mil votos por correspondência na Califórnia. A alegação: os eleitores estariam registrados irregularmente e não seriam cidadãos americanos. A decisão pode sair horas antes das eleições de meio de mandato desta terça-feira (3).

Um tribunal federal de apelações já havia negado o mesmo pedido na sexta-feira (30). Agora, a disputa sobe ao nível mais alto do Judiciário americano em tempo recorde. O que está em jogo não são apenas cédulas — é o precedente de até onde o governo federal pode intervir na organização eleitoral dos estados.

O que motivou a ação de emergência

Em 15 de outubro, o Departamento de Justiça processou a Califórnia em tribunal federal. A acusação: o estado estaria descumprindo uma lei de 1996 que criminaliza o voto de não cidadãos em eleições federais. Para o governo, isso viola a Cláusula de Supremacia da Constituição — a regra de que a lei federal prevalece sobre a estadual em casos de conflito.

A lista com os nomes dos 20 mil eleitores foi compilada pelo Departamento de Segurança Interna e enviada às autoridades da Califórnia e do condado de Los Angeles. O pedido à Suprema Corte é específico: separar esses votos e não contá-los até que a cidadania de cada um seja verificada.

“Uma vez que os votos ilegalmente emitidos sejam contados e misturados aos votos legítimos, o dano resultante é impossível de ser reparado”, argumentou o Departamento de Justiça no documento protocolado na Corte.

A resposta da Califórnia: lista falha, risco real

O estado contesta frontalmente. Em documentos apresentados à Justiça, a Califórnia afirma ter mecanismos rigorosos para impedir voto de não cidadãos. Mais: diz que o método usado pelo governo federal para identificar os supostos irregulares é falho e “provavelmente contém diversos erros”.

Na prática, o argumento estadual é que a ação ameaça retirar o direito de voto de 20 mil pessoas com base em acusações vagas e dados imprecisos. O governador Gavin Newsom classificou a medida como “supressão eleitoral disfarçada de fiscalização”.

Contexto: um padrão de contestação

Esta não é a primeira investida. Em setembro, a Suprema Corte já havia rejeitado outro pedido do governo Trump para restringir o voto por correspondência — modalidade mais usada por eleitores com tendência democrata. Trump, por sua vez, repetiu alegações de fraude generalizada na eleição de 2020, derrotada por Joe Biden, sem apresentar provas.

Estudos e auditorias estaduais mostram consistentemente que votação irregular por não cidadãos é rara. A Constituição atribui aos estados a responsabilidade de organizar eleições, com supervisão federal limitada. A ação atual representa uma intervenção federal atípica no processo eleitoral a dias da votação.

Números-chave do caso

  • 20 mil votos por correspondência contestados
  • 2 de novembro: pedido protocolado na Suprema Corte
  • 3 de novembro: eleições de meio de mandato
  • 30 de outubro: tribunal de apelações negou liminar
  • 15 de outubro: ação original do Departamento de Justiça
  • 1996: ano da lei que criminaliza voto de não cidadãos em eleições federais

O que observar nas próximas horas

A Suprema Corte pode conceder a liminar, negá-la ou pedir mais informações — cada cenário tem consequências distintas. Se a contagem for bloqueada, abre-se precedente para contestações similares em outros estados. Se negada, os votos seguem para apuração normal, mas a batalha judicial continua.

Para empresários e investidores, o sinal de alerta não é apenas o resultado imediato. É a disposição do Executivo de usar o Judiciário para redefinir regras eleitorais às vésperas do voto. Isso injeta incerteza institucional num momento em que mercados já monitoram o desfecho das midterms para projetar a agenda legislativa dos próximos dois anos.

Acompanhe a divulgação da decisão da Corte e eventuais recursos estaduais. O desfecho deste caso pode ditar o tom das disputas eleitorais de 2024.