A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a realização de três leilões de transmissão em 2027, com potencial de ultrapassar R$ 50 bilhões em investimentos. A revelação partiu do secretário de Leilões, Ivo Sechi Nazareno, logo após o último certame deste ano na B3. O volume de recursos chama a atenção, mas é a tecnologia prevista para outubro que promete reescrever as regras do setor.
O cronograma que o mercado precisa anotar
O primeiro certame está marcado para abril. Já o segundo semestre concentra a novidade técnica e o maior volume financeiro, com dois leilões “instruídos em conjunto”, mas realizados em datas distintas.
- Abril: Leilão de abertura, corrente alternada convencional.
- Outubro: Estreia da corrente contínua com tecnologia VSC (Voltage Source Converter).
- Dezembro: Fechamento do ciclo, retorno à corrente alternada.
A decisão de preparar os dois certames do segundo semestre de forma simultânea sinaliza ganhos de eficiência regulatória, mas exige atenção redobrada dos investidores quanto aos editais.
Tecnologia VSC: o divisor de águas de outubro
O leilão de outubro não é apenas mais um no calendário. Ele trará a tecnologia VSC, inédita no Brasil, mais complexa e moderna que as soluções HVDC tradicionais usadas em contratações anteriores. Segundo Nazareno, a sofisticação técnica deve resultar nos maiores contratos de transmissão já firmados no país.
Essa inovação permite maior controle de potência e tensão, essencial para a integração de fontes renováveis intermitentes em larga escala. Para os players, significa barreira de entrada mais alta, mas também ativos de maior valor agregado e receitas mais robustas.
Por que os contratos podem ser os maiores da história
A combinação de extensão das linhas, complexidade da conversão VSC e a necessidade de escoar energia de novos polos eólicos e solares no Nordeste e Norte impulsiona o capex estimado. A Aneel não detalhou a divisão exata dos R$ 50 bilhões entre os três eventos, mas a expectativa interna é de que o lote de outubro concentre a fatia mais expressiva.
Além do volume financeiro, a segregação de atividades prevista para os leilões instruídos em conjunto pode criar oportunidades para consórcios especializados, separando construção de operação ou segmentos de tensão distintos.
O que observar daqui para frente
O calendário apertado — três certames em nove meses — exige que interessados iniciem estudos de viabilidade e captação de funding ainda no primeiro trimestre. A publicação dos editais preliminares e as consultas públicas ditarão o ritmo real.
Fique atento à definição dos critérios de rateio entre os leilões de outubro e dezembro e às exigências de garantia de fiel cumprimento, que tendem a ser proporcionais ao gigantismo dos contratos VSC. Quem sair na frente na modelagem financeira e no entendimento regulatório dessa nova tecnologia largará na pole position para capturar o maior pedaço desse bolo de R$ 50 bilhões.
