A Polícia Federal formalizou o indiciamento de 15 pessoas no inquérito principal que investiga a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Entre os nomes estão o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, seu ex-sócio Augusto Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi entregue à Procuradoria-Geral da República nesta quarta-feira (28).
A investigação aponta que Vorcaro e Costa formavam o “núcleo estratégico” de uma organização criminosa que atuou entre 2024 e 2025. Mas o que vem a seguir pode mudar o rumo de todo o caso.
O que diz o relatório da PF
Segundo o documento, Daniel Vorcaro centralizava as decisões sobre produção, aquisição e cessão de carteiras de crédito usadas para captação de recursos. Ele também dirigia a atuação dos demais integrantes ligados ao Banco Master e às empresas associadas ao esquema.
Paulo Henrique Costa, à frente do BRB — cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal —, teria viabilizado a operação do lado do banco público. A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O ministro André Mendonça, relator do caso, analisará o pedido.
Os números por trás da operação
A tentativa de aquisição do Master pelo BRB movimentou cifras bilionárias. Veja os pontos-chave:
- R$ 16,7 bilhões injetados pelo BRB no Banco Master
- Compra barrada pelo Banco Central
- Carteiras de crédito adquiridas revelaram-se fraudulentas e sem lastro
- Três fases da Operação Compliance Zero já deflagradas
O rombo expõe a fragilidade dos controles internos e levanta dúvidas sobre a governança do banco público.
Quem são os principais indiciados
Além do trio central — Vorcaro, Lima e Costa —, outras 12 pessoas foram indiciadas. Todas são investigadas por participação nas condutas ilegais que envolvem lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e crimes contra o sistema financeiro nacional. Os três líderes estão presos preventivamente.
A PF classifica Vorcaro como líder da organização. Augusto Lima atuava como braço operacional na estrutura do Master. Costa, por sua vez, teria usado a máquina do BRB para viabilizar o aporte de recursos públicos em um banco já insolvente.
O que acontece agora
Com o relatório parcial nas mãos da PGR, o Ministério Público Federal deve analisar se oferece denúncia ou solicita novas diligências. O pedido de prorrogação de 60 dias, se concedido, estende as investigações até o final de maio. Perícias contábeis e digitais ainda estão em andamento.
Enquanto isso, o BRB segue sob intervenção do Banco Central e responde a processos administrativos. A instituição tenta recuperar ativos e reestruturar seu balanço após o prejuízo bilionário.
O que observar nas próximas semanas
A decisão do ministro André Mendonça sobre o prazo extra será o primeiro termômetro. Se aceito, a PF ganha fôlego para mapear ramificações do esquema — possivelmente alcançando outros bancos, fundos de investimento e agentes públicos. Outro ponto sensível: a eventual delação premiada de algum dos indiciados, que poderia acelerar a responsabilização de novos nomes.
Para investidores e gestores de risco, o caso reforça a necessidade de due diligence rigorosa em operações de M&A no setor financeiro, especialmente quando há capital público envolvido. O desfecho ditará precedentes para futuras aquisições de instituições em dificuldade.
