Educação

Moro revela ‘carta na manga’ para Educação: quem é a gestora que vem de Goiás?

Aparecida de Fátima Gavioli, nova secretária de Educação do Paraná, ao lado do governador eleito Sergio Moro
Gavioli assume a Secretaria de Educação do Paraná em 2027 com experiência em gestão técnica nos estados de Rondônia e Goiás

O governador eleito Sergio Moro (PL) confirmou nesta terça-feira (27) o nome de Aparecida de Fátima Gavioli para comandar a Secretaria de Estado da Educação do Paraná a partir de 2027. A escolha sinaliza uma aposta direta em gestão técnica com passagem por dois outros estados.

Mas o que a trajetória dela em Rondônia e Goiás diz sobre o futuro da rede estadual paranaense? A resposta passa por números de larga escala e um perfil que foge do político tradicional.

Perfil técnico com DNA paranaense

Natural de Goioerê, no Noroeste do estado, Fátima Gavioli carrega o “vínculo importante” citado por Moro. No entanto, sua carreira de gestão foi construída longe da terra natal. Ela assumiu a pasta em Rondônia entre 2014 e 2016 e, logo depois, liderou a rede goiana por sete anos — de janeiro de 2019 a março de 2026.

Essa longevidade em Goiás é um dado raro no cenário político brasileiro. Manter-se à frente de uma secretaria de grande porte por quase um mandato inteiro sugere capacidade de articulação e entrega de resultados que sobrevivem a trocas de governo.

O que o currículo entrega na prática

Além da vivência administrativa, a formação acadêmica é robusta e multidisciplinar. A combinação de Letras, Direito e Pedagogia, somada a mestrado em Educação, pós-graduação em Gestão Pública (CLP-SP) e doutorado em Psicologia da Educação (PUC-RS), desenha um perfil voltado para a gestão baseada em evidências.

Para o setor produtivo, isso costuma se traduzir em foco em indicadores — como IDEB, fluxo escolar e alinhamento curricular ao mercado de trabalho — em detrimento de pautas meramente ideológicas.

Resultados em Goiás: o termômetro real

O governador eleito destacou os “resultados obtidos durante a gestão em Goiás”. Embora o anúncio não detalhe métricas específicas, o período coincide com avanços da rede goiana em avaliações nacionais. Pontos-chave da gestão anterior incluem:

  • Expansão do tempo integral: modelo que impacta diretamente a aprendizagem e a inserção de mães no mercado de trabalho.
  • Gestão por metas: adoção de contratos de gestão com diretores regionais e escolares.
  • Infraestrutura e tecnologia: investimentos em laboratórios e conectividade como base para o ensino híbrido.

Replicar essa receita no Paraná — que já possui bons indicadores, mas enfrenta gargalos na equidade entre regiões — será o teste de fogo.

O tabuleiro político e a pasta da Fazenda

Fátima é o segundo nome do secretariado. Antes dela, Moro confirmou Priscilla Santana para a Secretaria da Fazenda. A ordem dos anúncios não é aleatória: a educação consome a maior fatia do orçamento estadual (vinculação constitucional de 25%).

Alinhamento entre Fazenda e Educação desde o dia zero evita o clássico cabo de guerra por recursos e permite planejar o financiamento de programas de longo prazo, como a valorização do magistério e a modernização da rede física.

Experiência eleitoral: o que as urnas mostraram

Um detalhe pouco comentado, mas relevante para entender a capacidade de articulação da futura secretária: ela disputou a Câmara dos Deputados por Goiás em 2022 (PSD) e obteve mais de 54 mil votos, ficando como suplente. Em Rondônia, foi suplente em 2010 (PDT) e 2014 (PSD).

Embora não eleita, a votação expressiva em Goiás demonstra capital político e capilaridade no estado onde atuou por mais tempo. Isso facilita a tramitação de projetos de lei estaduais e a negociação de emendas parlamentares para a pasta.

O que observar daqui para frente

A transição começa agora, mas a posse efetiva ocorre apenas em 2027. Até lá, três movimentos merecem atenção de quem acompanha o ambiente de negócios e a gestão pública no Paraná:

  • Diagnóstico da rede: o raio-x que a equipe de transição fará sobre déficit de professores, estado das escolas e dados de aprendizagem pós-pandemia.
  • Plano de carreira: se a valorização salarial e a progressão funcional seguirão o modelo de meritocracia testado em Goiás.
  • Parcerias com o setor privado: a tendência de ampliar PPPs (Parcerias Público-Privadas) para infraestrutura escolar e programas de ensino técnico integrado.
  • A nomeação de uma gestora “de fora” para um cargo estratégico em seu estado de origem quebra a lógica do apadrinhamento local. Se a experiência de Goiás se confirmar como padrão, o Paraná pode ganhar uma secretaria mais orientada a dados e menos refém de pressões corporativas de curto prazo. O mercado — e a sociedade — ganham previsibilidade.