Lula (PT) quase dobrou o número de prefeituras conquistadas no Centro-Oeste de Minas entre o primeiro e o segundo turno, passando de seis para dez vitórias. Ainda assim, o cenário regional seguiu amplamente favorável a Bolsonaro (PL), que levou 50 dos 60 municípios — uma fatia de 83,3% do território.
O avanço petista não foi suficiente para inverter a lógica majoritária, mas revelou bolsões de resistência relevantes. Quatro cidades que haviam votado no adversário na etapa inicial mudaram de lado na reta final. O dado expõe uma fragmentação interna que costuma passar despercebida nas análises estaduais.
As 10 exceções que destoam da região
Dos dez municípios onde o petista saiu vitorioso, metade registrou viradas explícitas entre um turno e outro. São Francisco de Paula liderou a vantagem proporcional, com 60,99% dos votos válidos, seguido por Carmo da Mata (59,23%) e Paineiras (56,39%).
Confira a lista completa com os percentuais do segundo turno:
- São Francisco de Paula: 60,99%
- Carmo da Mata: 59,23%
- Paineiras: 56,39%
- Passa Tempo: 54,08%
- Quartel Geral: 53,77%
- Pompéu: 53,20% (virada)
- Camacho: 53,05%
- Iguatama: 52,45% (virada)
- Bambuí: 51,92% (virada)
- Oliveiras: 50,38% (virada)
O detalhe das margens apertadas — cinco cidades decididas com menos de 55% — sinaliza um eleitorado volátil, sensível a campanhas de última hora e a dinâmicas locais que não necessariamente espelham a polarização nacional.
Grandes colégios eleitorais ditaram o tom majoritário
Enquanto os pequenos municípios oscilavam, os maiores centros urbanos consolidaram a vantagem do PL com folga. Divinópolis, o maior colégio da região, deu 55,05% ao candidato da direita. Em Nova Serrana, a diferença explodiu para 73,53%.
O desempenho nos cinco maiores municípios resume o peso demográfico que manteve a região no campo bolsonarista:
- Nova Serrana: 73,53%
- Bom Despacho: 65,51%
- Itaúna: 65,09%
- Formiga: 60,56%
- Divinópolis: 55,05%
Juntas, essas cidades concentram a maior parte do eleitorado e funcionaram como contrapeso numérico às vitórias petistas em municípios de menor porte. O resultado final reflete, portanto, uma disputa assimétrica: capilaridade territorial versus densidade eleitoral.
O que observar daqui para frente
A capacidade de Lula de reverter votos em Bambuí, Iguatama, Oliveiras e Pompéu sugere que a mobilização de segundo turno funcionou em redutos específicos, possivelmente impulsionada por lideranças locais ou máquinas municipais. Para analistas de mercado e gestores públicos, o recado é claro: o Centro-Oeste mineiro não é um bloco monolítico.
Monitorar a evolução dessas dez prefeituras — especialmente as quatro que viraram — será essencial para antecipar alianças regionais e demandas por recursos federais nos próximos ciclos. A fragmentação exposta nas urnas costuma ditar o ritmo das negociações políticas bem antes da próxima eleição.
