Justiça

Você não vai acreditar: Acre elege primeira chapa 100% feminina com 66% dos votos

Mailza Assis e Jéssica Sales comemoram vitória histórica com 66% dos votos no Acre
Primeira chapa 100% feminina eleita no Acre, Mailza Assis e Jéssica Sales vencem com 66% dos votos.

Mailza Assis, do Progressistas, acaba de conquistar a reeleição para o governo do Acre com 66% dos votos válidos. A vitória esmaga a oposição liderada por Alan Rick, do Republicanos, e escreve um capítulo inédito na política acreana.

Pela primeira vez na história, duas mulheres comandarão o estado juntas. A vice-governadora Jéssica Sales completa uma chapa que promete reorganizar a máquina pública do zero.

O caminho até o Palácio Rio Branco

A trajetória de Mailza não foi linear. Começou como secretária municipal em Senador Guiomard, cidade de 26 mil habitantes no interior do estado.

Em 2014, virou primeira suplente de senador na chapa de Gladson Camelí. Assumiu a cadeira em 2019, quando ele deixou o Senado para governar o Acre. Três anos depois, elegeu-se vice-governadora na mesma chapa.

A guinada definitiva veio em abril deste ano. Camelí renunciou ao governo para disputar o Senado. Mailza herdou o cargo e, meses depois, confirmou nas urnas o que já exercia na prática.

O que muda com a vitória de 66%

A margem expressiva — dois terços do eleitorado — dá à nova gestão capital político raro. Permite aprovar pautas prioritárias sem depender de negociações desgastantes na Assembleia Legislativa.

O adversário, Alan Rick, tem base no Republicanos e tentou nacionalizar o debate. Não funcionou. O eleitorado acreano preferiu a continuidade com nova identidade.

Diagnóstico novo, equipe nova

Mailza foi direta no discurso da vitória: “É o governo genuinamente Mailza e Jéssica. Vamos reunir equipe, vamos replanejar, fazer um novo diagnóstico do estado.”

A fala sinaliza ruptura silenciosa. Não há menção a herdar programas do antecessor. O termo “replanejar” sugere auditoria completa de contratos, obras e convênios nos primeiros 100 dias.

Três eixos devem concentrar os primeiros movimentos:

  • Levantamento de passivos ocultos em saúde e infraestrutura
  • Redesenho de secretarias com foco em entrega, não em acomodação política
  • Pacto federativo para captar recursos de emendas parlamentares e ministérios

O fator Jéssica Sales

A vice-governadora não é figura decorativa. Jéssica Sales traz lastro parlamentar — foi deputada federal e tem trânsito em Brasília que Mailza, de perfil mais executivo, complementa.

A dupla divide o estado em áreas de atuação. Mailza foca na gestão interna e diálogo com prefeitos. Jéssica assume a articulação federal e captação de recursos.

Essa divisão de trabalho, se mantida, evita o desgaste de duas lideranças disputando os mesmos holofotes.

Os números que ninguém comenta

O Acre tem 830 mil habitantes e o menor PIB per capita da região Norte. A taxa de extrema pobreza beira 12%, segundo o IBGE. Cada real do orçamento estadual — cerca de R$ 9 bilhões anuais — precisa ter retorno social mensurável.

Outro dado crítico: 70% da receita vem de transferências federais. A dependência torna a articulação de Jéssica em Brasília questão de sobrevivência fiscal, não apenas política.

O que observar daqui para frente

Os primeiros 90 dias dirão se o “novo diagnóstico” vira plano de governo ou discurso de posse. Acompanhe a nomeação do secretário de Fazenda — será o termômetro da seriedade fiscal. Watch também a relação com a bancada federal acreana: três senadores e oito deputados federais podem destravar ou travar recursos estratégicos. Se a chapa cumprir a promessa de “governo genuinamente” delas, o Acre vira caso de estudo sobre gestão compartilhada feminina no Brasil profundo. O eleitor deu o aval. Agora é execução.