Vicentinho Junior (PSDB) virou o jogo no segundo turno e assumirá o governo do Tocantins com 64% dos votos válidos — uma margem de 253 mil sufrágios sobre a adversária Professora Dorinha (União Brasil). O estado foi o primeiro a definir seu governador nesta etapa da disputa.
O resultado quebra a lógica do primeiro turno, quando o tucano chegou 13 mil votos atrás. Agora, a pergunta que fica para empresários e investidores é: como a nova gestão vai transformar as promessas de campanha em ambiente real de negócios?
O peso da virada e o mandato que começa
Aos 41 anos, o governador eleito carrega três mandatos consecutivos de deputado federal e trajetória no setor privado. Essa combinação — experiência legislativa e visão de empresário — costuma ser lida pelo mercado como sinal de pragmatismo na gestão de contas públicas e diálogo com o setor produtivo.
No discurso da vitória, ele foi direto: segurança pública será prioridade número um. A fala não foi genérica. Vinculou criminalidade à capacidade do estado de atrair investimento e gerar emprego. “Um estado que deixa o povo sequestrado à criminalidade não prospera”, resumiu.
Por que segurança virou ativo econômico
A conexão entre ordem pública e clima de investimentos não é retórica. Estudos de bancos de desenvolvimento e consultorias mostram que estados com queda sustentada em indicadores de violência tendem a:
- Reduzir custos logísticos e de seguros para empresas instaladas
- Aumentar a atratividade para capital externo em setores sensíveis (agroindústria, logística, energia)
- Melhorar a retenção de mão de obra qualificada, que foge de regiões instáveis
O Tocantins, com posição estratégica no corredor Norte-Sul e vocação agroexportadora, tem muito a ganhar se a promessa sair do papel.
O que o primeiro ano deve revelar
Três movimentos iniciais vão ditar o tom da gestão para quem acompanha o estado de fora:
- Montagem do secretariado: nomes técnicos nas pastas de Segurança, Fazenda e Desenvolvimento Econômico sinalizam continuidade ou ruptura
- Pacote de ajuste fiscal: o estado herdará contas que exigem equilíbrio sem sufocar o caixa das prefeituras
- Diálogo com a bancada federal: três mandatos em Brasília dão ao governador trânsito para emendas e liberação de recursos de infraestrutura
Mas o efeito mais relevante aparece na relação com o agronegócio — motor da economia tocantinense.
Agro, logística e o “ambiente saudável” prometido
O governador eleito usou a expressão “ambiente saudável de quem está gerando emprego e renda”. Na prática, isso se traduz em três frentes que o setor produtivo monitora de perto:
- Regularização fundiária e licenciamento ágil para expansão de lavouras e pastagens
- Investimento em malha viária (TOs estaduais) que escoam a safra até portos e ferrovias
- Segurança no campo — roubo de defensivos, maquinário e gado impacta diretamente a margem do produtor
Se a gestão entregar avanços nesses pontos, o Tocantins pode consolidar-se como alternativa competitiva frente a vizinhos como Maranhão e Piauí, que disputam os mesmos fluxos de investimento no Matopiba.
O que observar daqui para frente
O primeiro semestre de 2025 será o termômetro. Acompanhe a execução orçamentária nas rubricas de segurança e infraestrutura, a tramitação de eventuais projetos de incentivo fiscal na Assembleia Legislativa e os primeiros indicadores de criminalidade divulgados pela SSP-TO. A virada nas urnas já aconteceu. A virada nos indicadores é o que vai definir se o discurso de “devolver altivez às instituições” vira case de gestão — ou fica só no palanque.
