A organização do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas confirmou nesta segunda-feira (26) as três finalistas a melhor lateral-esquerda da temporada: Bia Menezes (São Paulo), Raissa Bahia (Palmeiras) e Tamires (Corinthians). A disputa expõe um movimento silencioso: clubes grandes estão transformando posições táticas em ativos de valorização de marca e receita.
Mas o que essas jogadoras revelam sobre a economia do esporte feminino no Brasil? A resposta passa por cirurgia, versatilidade tática e longevidade competitiva.
O efeito da recuperação no valuation de Bia Menezes
Após cirurgia no tornozelo no fim de 2025, Bia Menezes, 29 anos, começou o ano no banco. Quando assumiu a titularidade, não saiu mais. Em 14 jogos pelo Brasileirão, participou de cinco gols — três marcados e duas assistências. O lance decisivo: o gol que encaminhou o título tricolor no empate por 1 a 1 contra o Corinthians, no Morumbi, na final.
Para investidores e gestores, o caso ilustra como a gestão de risco médico bem-sucedida devolve — e amplia — o capital de uma atleta. O São Paulo transformou uma incógnita física em peça-chave de conquista.
Versatilidade tática: o novo diferencial de mercado
Raissa Bahia, 23 anos, chegou ao Palmeiras vinda do Grêmio no meio de 2025. Em 2026, virou peça central no esquema de Rosana Augusto. Lateral de origem, passou a atuar como ponta-esquerda em diversos momentos. A adaptação rendeu convocação para a seleção principal e aprovação imediata do técnico Arthur Elias.
Essa plasticidade tática multiplica o valor de mercado. Um ativo que resolve dois problemas posicionais — profundidade defensiva e criatividade ofensiva — reduz a necessidade de contratações adicionais.
- Idade: 23 anos (curva ascendente de valorização)
- Posições: lateral-esquerda / ponta-esquerda
- Seleção: estreia em 2026 sob Arthur Elias
Longevidade como ativo de marca: o caso Tamires
Aos 39 anos e na oitava temporada pelo Corinthians, Tamires segue como referência. Revezando com Juliete, foi a quinta jogadora com mais minutos no Brasileirão. Na Libertadores Feminina (em curso no Equador), soma duas assistências em quatro jogos, ajudando o Timão a alcançar as semifinais.
O dado contraria a lógica de descarte precoce no futebol feminino. A manutenção de uma atleta veterana em alto nível sinaliza gestão de elenco madura, cultura de clube forte e apelo comercial junto à torcida — fatores que patrocinadores monitoram de perto.
Como as finalistas são escolhidas e por que isso importa
A definição ocorre por votação entre representantes dos clubes da elite do futebol feminino brasileiro. O modelo descentralizado reduz viés de mídia e aproxima a escolha da percepção tática dos próprios departamentos de futebol.
A cerimônia de premiação está marcada para 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo. O prêmio contempla ainda goleira, lateral-direita, zagueiras, meio-campistas, atacantes, Craque da Torcida, Revelação, Treinador(a), Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito e Melhor Departamento de Futebol Feminino.
Categoria especial: futebol como plataforma social
Um diferencial estrutural do prêmio é a categoria “Futebol Feminino Contra o Feminicídio”. Reconhece o clube que melhor executou ações de enfrentamento à violência contra a mulher ao longo da temporada. A inclusão sinaliza para o mercado que responsabilidade social deixa de ser apêndice e passa a critério de avaliação institucional.
O que observar daqui para frente
O anúncio das finalistas de outras posições nas próximas semanas completará o mapa de valorização de atletas da temporada. Para quem acompanha o negócio do esporte, três indicadores merecem atenção: migração de jogadoras entre clubes grandes após a premiação, renovações com cláusulas de vitrine internacional e movimentação de patrocinadores em torno das vencedoras. O prêmio não apenas coroa o passado — ele precifica o futuro.
