Omar Aziz (PSD) assume o governo do Amazonas em 2027 com 61,42% dos votos válidos e uma agenda que não pede licença para ser modesta. A vitória expressiva nas urnas veio acompanhada de um plano de governo que propõe remodelar a infraestrutura, a economia e os serviços públicos em prazos curtos. A dúvida que fica não é sobre a amplitude das promessas, mas sobre a capacidade de execução orçamentária para tirá-las do papel.
Habitação e concreto: a aposta na infraestrutura dura
O carro-chefe do mandato é a construção de 40 mil moradias em quatro anos, ritmo de 10 mil unidades anuais para atacar o déficit habitacional. Paralelamente, a meta é regularizar 200 mil imóveis urbanos e rurais em uma década, priorizando assentamentos precários e comunidades tradicionais.
A engenharia das vias também muda: estradas vicinais serão pavimentadas em concreto em vez de asfalto. A justificativa técnica é a resistência superior do material frente à variação de solos amazônicos, garantindo durabilidade no escoamento da produção. O saneamento segue a mesma régua agressiva: elevar a coleta de esgoto em Manaus de 24,3% para 60% e no interior de 8,9% para 30% em dez anos, via programa “Águas Limpas”.
- Conclusão da 3ª fase do Prosamim+ (reassentamento de 2,4 mil famílias).
- 30 projetos de urbanização integrada em igarapés da capital.
- Programa de urbanização no interior (Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, Tefé, Tabatinga, Humaitá, Coari) com recursos do BID e BNDES.
Economia da floresta e a blindagem da Zona Franca
No setor primário, a meta é duplicar a produção de frutas e de proteína animal (piscicultura) até 2030, aproveitando compras institucionais e redução de entraves de licenciamento. A aposta na bioeconomia inclui ampliar o manejo florestal sustentável e industrializar produtos da floresta com participação ativa de comunidades tradicionais.
Na indústria, o foco é preservar a competitividade da Zona Franca de Manaus diante da reforma tributária, atraindo novos polos e expandindo a atividade para o interior. A criação de um fórum estadual do comércio promete desburocratizar processos e orientar empresas sobre as novas regras de tributação sobre o consumo.
Mineração: a proposta prevê regularização com critérios ambientais rigorosos e pesquisa de alternativas ao mercúrio, como o uso da planta pau-de-balsa na separação de ouro.
Mão de obra e sala de aula: o braço tech da gestão
Para quem olha o mercado de trabalho, dois movimentos chamam atenção. O primeiro é a oferta de estágios remunerados de seis meses para egressos do ensino médio, criando uma ponte direta para o primeiro emprego. O segundo é a inserção massiva de inteligência artificial: cursos no Cetam para trabalhadores e ferramentas de IA nas escolas para apoiar professores, criar materiais didáticos e trilhas de aprendizagem.
A meta é levar internet de alta velocidade a todas as sedes educacionais do interior até 2029 (programa Norte Conectado). Na valorização docente, o plano prevê concursos, plano de carreira e promoções atreladas a mestrado e aperfeiçoamento.
Saúde e segurança: metas de curto prazo que definem o mandato
O teste de fogo acontece nos primeiros 100 dias: zerar a fila do SisReg contratando clínicas e laboratórios particulares para consultas, exames e diagnósticos por imagem. A meta estrutural é reduzir a espera por especialidades críticas para menos de 30 dias e implantar telessaúde nos 62 municípios com prontuário eletrônico integrado.
Na ponta da vacinação, o objetivo é saltar de 66,6% para 95% de cobertura infantil, além de reduzir a mortalidade materna. A expansão de hospitais regionais e UTIs no interior visa desafogar Manaus.
Na segurança, o concurso para 5 mil vagas (PM e Civil) é apenas o começo. A meta é atingir o teto legal de 15 mil policiais militares. A tecnologia entra com 2 mil câmeras no “Sistema Paredão” até 2032, cinco Centros de Inteligência Regionais (um por calha de rio), drones de longa autonomia para fronteiras e garimpos, e plataformas de IA para análise criminal e digitalização de boletins de ocorrência. O programa “Ronda Amazonas” levará policiamento ostensivo a bairros, interior e rios, com sistema de alerta para comunidades sem cobertura de telefonia.
O que observar daqui para frente
A transição de governo e a primeira peça orçamentária dirão se o choque de gestão prometido sobrevive à realidade fiscal. Para empresários e investidores, os sinais verdes estão na desburocratização comercial, na expansão da malha viária em concreto e na aposta em IA como política pública transversal. O cronograma das primeiras 100 ações na saúde será o termômetro inicial da capacidade de entrega da nova administração.
