O VI Fórum Vitalità provou que a curiosidade não envelhece. Realizado pela PUC-Campinas entre 28 de setembro e 2 de outubro, o evento reuniu especialistas para derrubar a ideia de que novas experiências pertencem só à juventude. O que aconteceu nesses cinco dias muda a forma como empresas e famílias devem olhar para a longevidade.
Por que o tema “experimentar” virou urgência
A coordenadora do Vitalità, Profa. Dra. Mariana Reis Santimaria, foi direta na abertura: a disposição para o novo não deveria ter prazo de validade. Segundo ela, o idadismo — preconceito etário — muitas vezes vem de dentro para fora. A própria pessoa idosa passa a acreditar que “já passou da idade”.
Essa barreira invisível trava mercado de trabalho, consumo e participação social. O Fórum nasceu justamente para quebrar esse ciclo, usando a universidade como laboratório de possibilidades reais.
Dados que o mercado não pode ignorar
A programação de cinco dias revelou números e iniciativas concretas:
- 6ª edição do evento, consolidado desde 2020
- 2ª Mostra de Empreendedorismo 60+ com negócios reais liderados por idosos
- Lançamento do Guia Teórico-Prático de Empreendedorismo para Pessoas Idosas
- Palestra exclusiva sobre empreendedorismo após os 60 anos
- Aniversário de 6 anos do Centro Vitalità comemorado em 29 de setembro
Não são apenas palestras. São produtos, serviços e modelos de negócio nascendo da experiência acumulada.
A psicologia por trás da redescoberta
A psicóloga Laís Calicchio trouxe o contraponto científico: associamos experimentação à infância por viés cultural, não biológico. Na velhice, o repertório de vida vira ativo, não peso. Uma oficina de cerâmica, um curso de programação ou um grupo de caminhada funcionam como portas de entrada.
Ela enfatizou: não precisa ser grandioso. O primeiro passo costuma ser pequeno, mas o efeito composto transforma saúde mental, autonomia e rede de apoio.
Temas que cruzam negócios e políticas públicas
A grade foi além do óbvio. Mudanças climáticas impactando idosos, saúde mental na longevidade, autocuidado como estratégia de redução de custos hospitalares, cultura e cinema como ferramentas de pertencimento. Cada painel conectava pesquisa acadêmica com aplicação prática.
O lançamento da 5ª edição do “Vitalità em Ação” mostrou extensão universitária virando política pública municipal. Mas o efeito mais relevante aparece no comportamento de consumo.
O que observar daqui para frente
Empresas que tratarem o público 60+ como nicho passivo perdem duas vezes: ignoram poder de compra e desperdiçam capital intelectual. O Fórum sinalizou três vetores para 2025: educação continuada desenhada para longevidade, produtos financeiros para segunda carreira e tecnologia assistiva co-criada com idosos.
Quem antecipar essa leitura não apenas fatura mais. Constrói reputação em um mercado que só cresce — e que finalmente parou de pedir licença para experimentar.
