Economia

Fundos de pensão viram as costas para FIIs e EUA: para onde vai o R$ 1,3 tri

Gestores de fundos de pensão analisam gráfico de realocação de R$ 1,3 tri saindo de FIIs e EUA
Maiores fundos de pensão do Brasil reduzem exposição a FIIs e Estados Unidos nos próximos 12 meses

Os maiores fundos de pensão do Brasil, donos de R$ 1,3 trilhão em aposentadorias, vão reduzir a exposição a fundos imobiliários e aos Estados Unidos nos próximos 12 meses. A virada de chave aparece em levantamento da Abrapp com gestores que comandam R$ 461 bilhões — quase um terço do setor.

O movimento não é um detalhe técnico. Quando tubarões desse tamanho mudam de direção, a maré vira para todo mundo. A pergunta que fica: o seu portfólio está alinhado com essa nova rota ou ainda rema contra a corrente?

O mapa dos próximos 12 meses

Metade dos entrevistados pretende aumentar a fatia internacional. Mas o recorte geográfico surpreende: mandatos globais — que caçam oportunidades em vários países — saltaram de 59% para 67% das estratégias. Já o foco exclusivo nos EUA derreteu de 38% para 25%.

Nos fundos imobiliários, o recado é direto. Vinte e oito por cento querem diminuir a posição. Ninguém — zero — disse pretender ampliar. Não garante queda nas cotas, mas acende um alerta sobre prioridades.

Treze anos de transformação silenciosa

Em 2013, a Bolsa respondia por 34% das carteiras desses gigantes. Hoje: 4,7%. A renda fixa, que era 56%, engoliu 86,2% do total. De cada R$ 10 aplicados em renda fixa, R$ 9 estão em títulos públicos.

O governo virou anfitrião generoso com juros reais elevados. Enquanto isso, empresas encolhem seus balanços. O reflexo aparece no prazo: títulos com vencimento acima de cinco anos pularam de 14% para 51% das carteiras de papéis soberanos em apenas três anos.

Como investem em ações agora

A gestão passiva — replicar índices em vez de escolher papéis — saiu de 15% para 36% da fatia de renda variável no mesmo período. ETFs ganharam espaço como veículo para acessar desde renda fixa a teses sofisticadas sem depender da opinião de um gestor sobre empresa X ou Y.

  • Renda variável: 4,7% do total (era 34% em 2013)
  • Renda fixa: 86,2% do total (era 56%)
  • Títulos públicos na renda fixa: 90%
  • Passivos longos (+5 anos): 51% dos papéis soberanos (eram 14%)
  • Gestão passiva em ações: 36% (era 15%)

O que o ouro ensinou este ano

Até ativos tidos como refúgio inabalável sangram. O ouro caiu mais de 6% em 2024. A lição: não existe classe que sempre vence. Existem ciclos, fluxos de capital e posicionamento. Quem acompanha para onde os grandes nadam ganha tempo — e evita remar contra a maré.

O que observar daqui para frente

O próximo dado de fluxo cambial e a próxima reunião do Copom dirão se a migração para mandatos globais acelera ou estanca. Fique atento também à participação de ETFs nos relatórios mensais da B3: se a curva de adoção passiva mantiver o ritmo, a estrutura de mercado muda — liquidez, formação de preço e até governança corporativa sentem o efeito. Ajustar a vela agora custa menos do que corrigir a rota depois.